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Dos croquis às passarelas

Fotos: Bel Corção
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Texto: RIOetc

@gilgabrielo

Trabalhar com moda nunca foi uma certeza na vida do Gabriel Gil, mas se alguém o encontrasse aos dez anos de idade desenhando croquis inspirados nos looks de Lady Gaga e Alexander McQueen, não duvidaria do talento que carrega hoje em dia. Um erro de confirmação no e-mail de aplicação para o curso de História da Arte da UFRJ motivou o estudante a se matricular no curso técnico de Produção de Moda do SENAI CETIQT. Em quinze dias de curso, ele já era finalista do SENAI Brasil Fashion, um projeto de aprimoramento aberto à qualquer aluno, e teve a oportunidade de apresentar a coleção “Alomorfia” no desfile de 2016 em Brasília e no Vitória Moda, em 2017.

A linha, inspirada no livro “A Metamorfose”, de Franz Kafka, faz uma analogia ao tratamento que as minorias recebem no Brasil, retratando as modelos como baratas. “A minha coleção foi bem conceitual, tinha uma modelagem bem complicada, muitos recortes e roupas justas. Eu tentei personificar a mulher como se fosse um animal, uma mulher bem forte e as roupas são como se fossem armaduras”, explica o estudante, que atualmente cursa o 3º período de Design de Moda, também no SENAI CETIQT.

Além do livro, as inspirações vão desde um quadro de Flávio Shiró, que está no Museu Nacional de Belas Artes (local onde tiramos as fotos), aos desfiles de Lino Villaventura, coach de Gabriel durante o projeto. Segundo Gabriel, tanto Lino quanto Ronaldo Fraga são corajosos ao bater na tecla da moda conceitual e transformam suas coleções em verdadeiras performances nas passarelas. Sem deixar de mencionar, é claro, as referências que guarda desde pequeno, quando cortava, costurava e colava roupas até para bonecos Max Steel: “o engraçado é que todo mundo conheceu o McQueen através da Lady Gaga, eu já conhecia o McQueen e conheci a Lady Gaga através dele. Eu sempre vi desfile e eu senti muito preconceito porque eu queria pegar a boneca para brincar, aí eu não podia, então dava meu jeito e fazia com o boneco”.

Como representante da moda brasileira, já que pretende atuar como estilista ou stylist, o Gabriel enxerga um futuro com mais ousadia e respeito. “Acho que quando a gente começa a aceitar as diferenças sociais, você começa a aceitar também as diferenças de se vestir”, explica o estudante, que também defende a criação de moda de uma maneira mais sustentável. Para ele, é possível mostrar criatividade a partir de roupas que já existem, tanto ao reciclar materiais quanto ao desconstruir peças de alfaiataria, por exemplo. Por outro lado, ele não deixa de enfatizar que a sustentabilidade não está só no modo de fazer, mas na produção como um todo. Afinal, é preciso que todas as pessoas envolvidas na cadeia tenham seu trabalho valorizado da mesma maneira.

Depois do sucesso avassalador, o próximo passo do Gabriel na verdade é focar as energias no estudo das técnicas da criação e está ansioso pelo próximo período, quando poderá estagiar. Se alguém se interessar pelo currículo extenso do Gabriel, é só ficar de olho no Instagram de portfólio @gabrielo.gil e entrar em contato caso queira #mandarjobs!

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