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Um século sem João do Rio

Fotos: Reprodução
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Texto: RIOetc

Neste Dia de São João, nossa festa vai para outro João, que virou anjo há 100 anos e 1 dia. João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, ou Paulo Barreto, ou ainda João do Rio. A ele, reinventor do jornalismo, temos devoção. E, no que é pra ser uma homenagem, cometemos o sacrilégio, há 13 anos, de usar sua “alma encantadora das ruas” como tagline para o nosso RIOetc. Como ele, nós amamos a rua.

O flâneur se foi aos 39 anos, deixando órfã a cidade que carregava no pseudônimo. Cem mil cariocas foram às ruas que ele descreveu dar adeus ao cronista, numa época em que a cidade tinha pouco mais de 1 milhão de habitantes e acabava de sair de uma pandemia.

Afrodescendente, homossexual, João do Rio quebrava tabus e ditava modismos. Se enfiava no submundo para trazê-lo à tona, mas também frequentava a grã-finagem. Foi ele um dos primeiros habitantes de Ipanema, e parcialmente responsável por sua valorização imobiliária (fez o papel de “influencer” numa época em que a palavra não existia, até porque se falava francês, quando se desejava parecer sofisticado. João falava, claro).

Porém, também falava e escrevia como poucos o português. Tanto o culto como o coloquial, que ouvia nas esquinas. Defendia também os portugueses, que representavam na ocasião de sua morte 15% dos habitantes do Rio e sofriam enorme preconceito. Em Lisboa, uma praça leva seu nome e tem sua figura em perfil, num bloco de pedra. Aqui, virou uma rua no bairro de Botafogo (Paulo Barreto). E tem nossa modesta mas carinhosa homenagem.

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