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Um roteiro carnavalesco pra se inspirar

Fotos:
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Texto: RIOetc

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Fotos: Victor Ronccally

@pfranca

Além de jornalista e roteirista, descobrimos uma especialidade do Pedro Henrique França: roteirista de blocos de Carnaval. Pedimos uma lista dos blocos da folia carioca imperdíveis pra ele e, de quebra, ganhamos Salvador, Olinda e Recife no pacote! Esse ano ele ainda nem sabe por onde estará, mas onde quer que ele esteja, o lema é: “primeiramente, Fora Temer. Segundamente, camisinha, sempre. De resto, me libera nêga e deixa dar onda”.

Alô, alô pra quem pretende passar o Carnaval por aqui ou pelos lados de lá:

Rio de Janeiro
 

“O carnaval do Rio começa cedo e não para. Qualquer hora do dia e da madrugada. Tem de ter muito fôlego pra aguentar. Pra mim os melhores blocos, rolam no Centro da cidade (região que agora revitalizada não para de ficar ainda mais interessante). As melhores festas têm rolado ali – e no carnaval não será diferente. É lá que estão os blocos mais alternativos, da galera mais aberta e livre. Meus favoritos: Minha luz é de led (dos mesmos caras que criaram a bananobike, um sistema de som sobre um triciclo), Bunytos de Corpo (onde todo mundo vai de roupa de ginástica e faz diversas coreôs e flashmobs maravilhosos), Viemos do Egyto (aqui é glitter puro, faraônico, dos pés à cabeça), Vem cá, minha flor, Vamo ET e o infinito Cordão do Boi Tolo, que sai domingo de manhã e só para sabe-se Deus onde na madrugada do dia seguinte. É uma maratona sem fim.”

 

Salvador

 

“Pra começar, esse papo de que carnaval em Salvador é só camarote e abadá é mentira. Não é. É possível, sim, ser feliz na rua e de graça. Os Mascarados, por exemplo, que sai na quinta-feira, no Circuito Barra-Ondina, é muito bom. Um dos poucos que a galera se fantasia, diga-se. Sempre tem uma galera bem massa no trio, como Margareth Menezes e Armandinho. O camarote andante do Carlinhos Brown também é outra atração imperdível e aberta. Os cortejos afros têm sempre muito axé. Imperdível ver uma saída do Filhos de Gandhy. Também recomendo muito a Pipoca do Saulo, no Campo Grande, e o trio de Luiz Caldas, o homem do fricote. E não dá pra deixar de ver um trecho que seja do desfile de Daniela Mercury – ela é mesmo a rainha da Bahia – e o carisma de Ivete Sangalo.

 

Mas nada hoje na Bahia é mais interessante, novo e instigante que o Baiana System. Lembro de vê-los no primeiro ano em que desfilaram no Campo Grande, o outro circuito de Salvador. Foi uma das coisas mais impressionantes que já vi. A guitarrada baiana de Roberto Barreto é um lance surreal. E renovou o carnaval de Salvador. Trouxe os jovens, puxou uma turma mais alternativa. Os caras hoje são um sucesso consolidado por lá. E já têm seu público espalhado pelo país – os caras tocam no Twistland, no Rio, dia 10/02. E são atração do Lollapalooza desse ano.”

 

Recife e Olinda

 

“As ladeiras de Olinda são realmente puxadas e o sol é de matar. Mas o carnaval pernambucano tem um borogodó especial. É naquele sotaque, é naquele frevo, é no brega pernambucano, é no charme: o Pernambuco é danado. E Olinda concentra as melhores opções de festa. A quem puder, também recomendo pesquisar sobre as prévias. Daqui pra diante, todo fim de semana tem festa massa em Olinda – Hoje a Mangueira Entra, Macuca, Eu acho é Pouco, I Love Cafusú, Siri na Lata…

 

Mas já que o papo é carnaval e alguns deles não saem nessa época. Vamos aos indicados. Eu acho é Pouco é provavelmente a melhor coisa do carnaval de Olinda. Ele desfila dois dias, sábado e terça de carnaval, em Olinda. Suas cores são amarelo e vermelho e esse ano tem Fora Temer, porque eles são maravilhosos e politicamente afiados. Começa por volta de 17h e faz um longo circuito que termina já de madrugada. Hoje a Mangueira Entra também desfila no sábado, mais cedo e tem cores verde-e-rosa. Enquanto Isso na Sala de Justiça também recomendo em Olinda, além do I Love Cafusú, que é maravilhoso, de música brega. E sai domingo. Imperdível, dos melhores da cidade.

 

A Recife vou pouco no carnaval. Mas indico muito o Amantes de Glória, bloquinho bem massa que sai por lá. E vale ficar de olho na programação do Rec-Beat, festival alternativo que rola no Cais da Alfândega. E na festa Odara, Ô Desce, das incríveis DJs, amores da vida, Lala K e Allana Marques.”

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