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O roteiro inusitado de Fernanda

Fotos: Tiago Petrick
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Texto: RIOetc

@prestesfe

Na companhia de duas amigas, a jornalista Fernanda Prestes cruzou o globo num roteiro inusitado: do Brasil, foi até a Islândia, e de lá para o Paquistão. Férias extravagantes? Não. Foram, as três, produzir a primeira temporada de “O Futuro é Feminino”, série documental veiculada pelo GNT em março. Uma nova temporada está em produção, com visitas ao Japão e Ruanda.

– Gosto de acreditar que o futuro será feminino, sim, e acredito que se depender dos movimentos das mulheres – que só se intensificaram e fortaleceram na última onda do feminismo – teremos essa certeza. Mas é importante a gente olhar e fazer no presente – diz Fernanda.

A Islândia está há dez anos no topo do ranking de igualdade de gênero. Lá, uma mulher é primeira-ministra (Katrín Jakobsdóttir foi uma das entrevistadas pelo trio de brasileiras); e foi a terra do gelo o primeiro país a eleger uma mulher presidente. Fruto de uma educação voltada para diminuir as desigualdades, já que as escolas tratam das questões de gênero desde o jardim de infância. Em 2012, foi aprovada uma lei que estabelece pagamento igual para serviços equivalentes, desempenhados por homens ou mulheres.

– É importante até a gente quebrar esse ideal de país para uma mulher viver, porque hoje, no mundo, não existe um país 100% igualitário. Existem exemplos de sociedades matriarcais, sim, mas quando a gente fala da massa de países do mundo, até os que lideram o ranking têm problemas sérios a serem resolvidos, e problemas que estão diretamente relacionados à opressão que as mulheres sofrem em sociedades patriarcais. Como a violência doméstica, que é uma questão aqui, no Paquistão, na Islândia e no mundo todo. Então não existe um modelo a ser seguido e acho que antes de criarmos um parâmetro pros países, precisamos olhar para dentro e entender o que as mulheres precisam e os caminhos e políticas pra se alcançar isso – avalia a jornalista.

No Paquistão, as três visitaram a documentarista Sharmeen Obaid-Chinoy, vencedora de dois Oscars, que usa a violência contra a mulher como tema de seus filmes. Por lá, tomar chá numa barraquinha de rua é uma forma de resistência feminina, assim como andar de bicicleta (!).

– O Paquistão é o penúltimo colocado no ranking de igualdade de gênero. O último é o Iêmen,  mas na época da pesquisa, e ainda hoje, o Iêmen  vive uma crise humanitária braba, com milhões de pessoas passando fome, em meio a uma guerra civil que fechou aeroportos. Como jornalistas, seria difícil focar “apenas” na questão dos direitos e realidade das mulheres – conta.

Mas não é preciso ir tão longe para se achar casos dramáticos de desrespeito às mulheres. Aqui mesmo no Brasil – aliás, 95º colocado do ranking de 149 países –, muita coisa precisa mudar, na avaliação de Fernanda Prestes:

– Nas últimas eleições tivemos um aumento do número de congressistas mulheres, mas isso soma apenas 15%. O Brasil é um dos líderes do ranking de feminicídios, e temos dados alarmantes de violência doméstica, mesmo após 13 anos de lei Maria da Penha. O atual governo, além de não deixar progredir, estimula a regressão. E é isso que estamos vendo: movimentos para restringir ainda mais a lei do aborto; pra acabar com a cota dos 30% de mulheres na política; uma Ministra de Mulheres e Direitos Humanos que não quer discutir sexualidade com jovens no país em que a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. Por isso precisamos sim nos manter alertas, para que o mínimo de direitos que já estão conquistados não nos sejam tirados.

Do ponto de vista da moda – afinal, também estamos aqui para falar da Reserva Go -, Fernanda observou, em suas andanças mundo afora, que a expressão pessoal e de liberdade sempre dá um jeito de aparecer.

– É interessante pensar como em países islâmicos, que muitas vezes exigem que as mulheres usem a burca, como em algumas cidades no Paquistão, a expressão corre para um outro lugar que não a vestimenta, né? Até a própria burca vira um item fashion, tomando outras formas, cores e detalhes, mas nem sempre isso é uma questão para as mulheres de lá, como nos do Ocidente costumamos pensar.

Ela é uma das personagens escolhidas para o lançamento da primeira loja da @reserva_go, o núcleo de calçados e acessórios da @reserva. Fica no terceiro piso do @riosul.

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