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O ritmo de Zulu

Fotos: Tiago Petrick
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Texto: RIOetc

@iamroc.slum

Ainda adolescente, Hugo Gregório inscreveu-se nas aulas de capoeira de Angola com mestre Levi, em Caxias. O jogo/dança/luta, pura ginga e malemolência, ficou aquém da necessidade do menino. Zulu – este virou seu nome artístico – é ligado na tomada 220V. Foi para o kickboxing e o basquete pra continuar se movimentando, até ser travado pelo quartel. Na saída, enfim abraçou o hip hop. E o dançarino, agora com 28 anos, faz disso diversão e trabalho, que equilibra com o serviço de tatuador.

– A tatuagem é arte no corpo, assim como a dança – justifica Zulu, que abriu o estúdio de tattoo depois de frequentar um curso para jovens empreendedores criado por um banco.

Mesmo antes disso, já empreendia como dançarino: há sete anos, começou a promover eventos pelas ruas da Baixada Fluminense. Sua roda dancer, voltada para adeptos do hip hop, acontecia uma vez por mês, dando uma opção para lugares onde normalmente não havia qualquer tipo de manifestação cultural para jovens, o que lhe valeu um prêmio.

– A gente foi a primeira festa a estar ali, o primeiro grupo a estar ali, e a partir disso a gente conseguiu aval da prefeitura de Caxias para essa ocupação – lembra.

Mais tarde, entrou para a UFRJ, por onde se gradua em Dança no fim do ano. Lá, passou a integrar a Companhia Gente, de dança contemporânea, onde pratica, além do hip hop, break, pop, rock, afro house – “danças urbanas”, em sua definição. Como parte do currículo acadêmico, chegou a fazer balé clássico, mas sua pegada é totalmente outra.

– O balé clássico tem sua importância por causa das posturas, e muitas danças surgiram dele. Mas a gente acaba ignorando outras danças populares, como as danças africanas, danças tribais, como o kwaito, afro house, kuduro, azonto, afrobeats, dance hall, kizomba… Sinto falta disso na grade curricular – avalia. Hoje em dia alguns professores tentam mudar pra gente não sentir tanto isso, mas isso é uma guerra maior dos alunos que dos professores.

A dança o levou à França, em 2014, representando o Brasil no Hip Hop Contest junto a outros três atletas/dançarinos. Volta e meia passa por São Paulo, tanto para participar de batalhas como para se apresentar com a companhia de Paulo Emílio Azevedo. Mas não deixa pra trás sua Vila Lafaiete.

Ele é um dos personagens escolhidos para o lançamento da primeira loja da @reserva_go, o núcleo de calçados e acessórios da @reserva. Fica no terceiro piso do @riosul.

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