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A praia de Januzzi

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: RIOetc

@joaoricardojanuzzi

Aos 15 anos, em 2010, João Ricardo Januzzi sagrou-se campeão estadual de bodyboard. Nos anos seguintes, continuou no mar, mas trocou a prancha pela câmera, e percebeu que sua praia era a produção de vídeos:

– Eu me filmava surfando com meus amigos, a gente revezava. Ficava 30 minutos surfando, 30 minutos filmando. Pra gente treinar, ver como tava evoluindo com os treinos. Eu era o que mais gostava de filmar, às vezes deixava até de surfar pra ficar filmando. A galera foi vendo que eu levava jeito, até que em 2013 a equipe mais profissional, dos mais velhos, me chamou pra ir filmar eles num campeonato mundial no Chile.

No susto, conseguiu o patrocínio dos pais para adquirir novos equipamentos, à altura da tarefa. Imediatamente obteve o retorno financeiro, e diversificou o portfólio a partir de novas demandas.

– Quem eu conheci lá no Chile passou a me chamar pra filmar aqui também, e a partir daí foi surgindo trabalho. Entrei na área de eventos também, trabalhando na Copa das Confederações, Copa do Mundo, depois entrei no mercado de casamento também. Hoje eu sou mais focado na fotografia e vídeo de lifestyle, viagens, e muita coisa no mar – conta, lembrando que não se sente um peixe fora d’água quando o chamam, como foi o caso, para documentar o Rock in Rio. Mas o mar continua sendo o que o faz levantar na madrugada, quando a maioria ainda está negociando com o despertador.

– Eu costumo ir em frente de casa, em Copacabana, para fotografar o amanhecer dentro do mar, para mim mesmo, para alimentar meu Instagram, às vezes vender um quadro.

O trabalho precoce levou João Ricardo à faculdade de Cinema, embora considere que seu grande professor foi mesmo o YouTube.

– Por um lado a faculdade até me atrapalhou um pouco, porque tinham as viagens que me chamavam pra ir e eu não podia ir por causa da faculdade, senão ia perder um mês, dois meses de faculdade. E hoje eu vejo que não mudou nada na minha carreira porque eu tenho diploma em cinema. O mais importante foi o networking que eu criei com os amigos.

E foi assim, entre amigos, que sua produtora – a Januzzi Filmes – produziu um documentário. O tema era a vida de Guilherme Tâmega, ainda inédito. O hexacampeão mundial de bodyboard, hoje radicado na Havaí, trabalha como salva-vidas na praia de Pipeline, uma das mais perigosas do mundo, com seu fundo de coral sob fortes ondas tubulares.

– Ele foi pioneiro. Eu tenho foto com ele de 2008, criancinha, quando ele foi no projeto no Posto 5 onde comecei a surfar. E aí depois de 10 anos eu fiz o filme. Fui pro Hawaii duas vezes, a primeira vez em 2016, e fiquei lá na casa dele. Não foi pra gravar, ele me convidou e eu fiquei lá. Fiquei um mês na casa dele e voltei em 2018 gravando o documentário – diz.

Mais do que a convivência com um ídolo, o que enche o peito de João Ricardo são mesmo as viagens – e é por isso que ele está aqui, calçando Reserva Go, embora fique muito à vontade também descalço ou de pés-de-pato. Além do Havaí, carimbou seu passaporte na Indonésia, conheceu Fernando de Noronha e, entre outras aventuras, subiu a costa do Rio a Salvador num veleiro, como parte de um projeto.

– Era uma série com três meninas comandando um barco, eu estava filmando. Mas elas começaram a brigar no meio da viagem e o projeto teve que acabar. Mas valeu a experiência, foi bom conhecer Abrolhos – diverte-se.

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