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A moda do futuro

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Vanessa Martinez]

A mudança de comportamento da sociedade diante de um sistema saturado está trazendo uma nova geração muito mais preocupada com um propósito do que a ilusão de satisfação com o consumo, apenas.

O Slow Fashion é a tendência desta onda sustentável, que veio para ficar, com o princípio de reeducar a cultura de consumo na moda. Na Europa, o ECAP (European Clothing Action Plan) lançou a campanha Love Your Clothes para incentivar a redução de consumo e adoção de peças atemporais e duráveis. Outra importante campanha que também já circula pelo Brasil é a Who Made My Clothes? (Quem fez minhas roupas?) do Fashion Revolution, que se confronta com o trabalho escravo, ainda presente nas produções massificadas.

Navegando nesta direção, algumas marcas estão surgindo e/ou se modificando para atender a esta nova demanda. A C&A é um dos grandes nomes reconhecidos no mercado a transformar o seu formato de fast fashion, eliminando este termo e prometendo uma agenda 100% sustentável até 2020.

A Renner também está começando a explorar este mar, em 2018 lançou uma coleção confeccionada a partir das sobras de algodão em suas produções e patrocinou o Brasil Eco Fashion Week, evento de moda sustentável que nasceu em 2017 e já teve notável crescimento em sua
segunda edição. Esta “semana” de moda, que dura três dias, é uma vitrine para as marcas que cumprem com algum dos 5 pilares da sustentabilidade. Segundo Fabiana Pereira Leite, coordenadora de moda do Sebrae em entrevista à Vogue Brasil, estas vertentes são: Desenvolvimento Social, Ambiental, Econômico, Territorial e Cultural.

Ao mergulhar neste universo de marcas conscientes, a beleza dos processos de criação e a riqueza de possibilidades eco-friendly são admiráveis. Desde a procura por matérias primas orgânicas à reciclagem, as marcas exploram os mais diversos métodos de produção.
A Natural Cotton Color, por exemplo, é uma das marcas de destaque do evento de moda sustentável, que trabalha com um algodão naturalmente colorido em diferentes tons de marrom e verde. Estes fios que têm origem na Paraíba também foram adotados pelas marcas de lingerie Bambusa e Tita Co. Responsáveis por peças básicas e confortáveis para a nossa intimidade, elas acrescentam maior variação de cores em suas peças utilizando corantes a partir de extratos vegetais. A Natural Cotton Color e a Bambusa são um dos primeiros barcos a se ancorarem neste mar da sustentabilidade, atuando há mais de quinze anos no mercado.

Explorando elementos da natureza para estamparia, a Tanas imprime folhas e flores em suas roupas, que são criadas a partir de sobras de tecidos da indústria ou peças de brechó. Os tingimentos impecáveis com corantes naturais são encontrados nas vestimentas da Aluf, fundada há aproximadamente 3 anos pela jovem Ana Luisa Fernandes, que usa, entre as mais diversas possibilidades, Açafrão para atingir o amarelo, como da blusa que Daira veste no editorial – a hot pants da Bambusa também utilizou deste método. Além disto, a talentosa estilista, de apenas 23 anos, busca referências psicológicas e artísticas, transformando suas coleções em verdadeiras obras
de arte.

Outros artistas que se expressam na moda através de um trabalho artesanal de forte identidade são Marco Barboza, da Krixina, Palloma Renny, da Palomita, e Ana Carolina Nascimento, da Kristaloterapia. No caso da Krixina, o próprio estilista é o responsável por todos os processos de criação das vestimentas, realizadas em uma charmosa máquina de costura antiga Singer 667, com tecidos de linho orgânico importados; Palloma utiliza do couro como uma tela de pintura e insere textos apaixonantes na sola de madeira das suas obras de arte para os pés, já Ana Carolina cria acessórios simples, mas de uma força bruta, explorando os diferentes cristais e, vez ou outra, adicionando outros elementos da natureza. Estas peças artesanais carregam uma força diferenciada para quem tem a sensibilidade de observar a energia depositada nos processos de criação de cada unidade.

Ao tratar sobre valorização de pequenos produtores, a Grama realiza um importante papel, buscando inserir o máximo de possibilidades sustentáveis em sua cadeia de produção e resultando numa ampla variedade de produtos sofisticados, confortáveis, de qualidade e com o mínimo de impacto ambiental.

Passando pela natureza e expandindo seus horizontes para o universo da reciclagem, algumas marcas buscam no descarte o seu produto, como a Insecta Shoes, que trabalha com garrafas PET e algodão reciclados, borracha reaproveitada, tecidos de reuso e peças de brechó com estampas que identificam a estética da marca. No mesmo barco do Upcycling a Kasulo mistura material reciclado e fibras naturais para compor seus diversos modelos de calçados atemporais, já a Alento explora as sobras de madeira e prata para criar acessórios com acrílico em design minimalista.

 

O movimento Slow Fashion navega na contramão das tendências temporais da moda, mergulhando em roupas confortáveis e sem gênero, com modelagens que complementam a identidade de cada um. Moda que não sai de moda, as peças são confeccionadas com
responsabilidade social e ambiental, embarcando histórias com começo, meio e final feliz.

Desconstruir quantidade por qualidade e modificar a cultura da moda “trend” por vestimentas que evidenciam a personalidade é o segredo para que os consumidores adotem um hábito menos consumista e mais consciente. A natureza agradece!

 

Créditos:

Modelos: Vitoria Moraes  e Daira Silva
Fotografia: Jennifer K. Liu
Styling: Vanessa Martinez
Beleza: Eliseu Santana
Produção artística: Yohannah de Oliveira
Assistente de fotografia: Andrew Huang

Onde encontrar:

Alento
Aluf
Bambusa
Grama
Insecta Shoes
Kasulo
Kristaloterapia
Krixina por Marco Barboza
Natural Cotton Color
Palomita
Tanas
Tita Co
Arielle Morimoto Cosmetics

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