Ir para conteúdo

Entre as árvores (que somos nós), Passarinho

Fotos:
|
Texto: RIOetc

[Tiago Petrik]

Este aí das fotos é Daniel Gnattali, designer gráfico carioca de 29 anos, nosso novo colunista. Em “Passarinho”, o nome da seção que ele assina a partir do próximo dia de céu azul, ele vai explorar o Rio em forma de desenho (quem sabe, até pra você colorir aí da sua tela…). “Desenho desde criança. Hoje percebo a ilustração como meio de suprir uma lacuna pessoal que o design não supria: a possibilidade de expressão”, conta. O mote, aqui no site, não poderia ser outro: “O Rio é carregado de poesia, uma massa etérea que está por aí. Às vezes, sintonizamos e captamos algo dessa essência para compor uma canção, escrever um poema ou fazer um cartum. Pensando sempre na infinitude de prismas que se pode ter, gostaria de mostrar o Rio pelo meu.”

Não à toa ele fala de canções e poemas. Daniel também é músico, e carrega o sobrenome do grande chorão Radamés Gnattali, seu tio-avô. E entre suas influências, sua lista é bastante ampla e eclética. “Turma da Mônica, Walt Disney, Jaspion e etc, Homem-Aranha, Iron Maiden, Dragon Ball, Pokémon, Beatles, Tolkien, Calvin & Haroldo, Liniers, Arnaldo Branco, Renato Alarcão, Shaun Tan, Moebius, Orlando Pedroso, Laerte, Andre Dahmer, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski, Jorge Ben, Paulo Coelho”.

Lista igualmente enorme é o de fantasias carnavalescas que ele vestiu nos últimos anos. “Não invisto em grandes ideias geniais, mas sim em fazer direito, dar consistência ao personagem. Pode ser um banalíssimo pirata, mas se você entrar na essência, a fantasia ganha um corpo de verdade: o seu. Eu já fui pirata, mexicano violeiro, mexicano bandoleiro, malfeitor, cangaceiro, Robin Hood, Náufrago (também confundido com Jesus e Maomé), John Lennon Sgt. Pepper’s, John Lennon Abbey Road, cigano, hippie, gênio da lâmpada, pássaro-deus-azteca… O que importa é estar dentro da fantasia. É aí que o carnaval te abraça”, diz. Como Náufrago/Jesus/Maomé, registramos sua presença na festa de 2013. “Estar só numa multidão, sabendo que toda a multidão é sua companhia, vira uma espécie de pequeno estado de Nirvana”, prega.

Uma outra fantasia ele carrega por aí, a qualquer hora: transforma-se em árvores. “O projeto “As árvores somos nós” surgiu naturalmente (derivado do clássico “As árveres samu nozes“, assim como a ideia das fotos. O que me motivou foi perceber a expressividade nas formas das árvores e querer traduzi-la – ainda que, conscientemente, essa motivação nada tivesse de viés político, social ou ambiental. É uma diversão particular que, exposta, ganha diversos significados, sendo todos eles possíveis”. As fotos que ilustram este post foram inspiradas nessa brincadeira divertidíssima (aqui no escritório somos fãs).

Pra encerrar, perguntamos sobre seus sonhos. E Daniel não economiza: “voar”. Ele conta que salta de paraquedas eventualmente. “Acompanho deslumbrado o desenvolvimento de novas tecnologias que vão chegando cada vez mais perto do vôo totalmente livre que sempre idealizei (Super-homem, Peter Pan, Goku). Mas recentemente esse sonho foi se tornando uma metáfora também, que reflete um outro tipo de liberdade, essa abertura incondicional do canal expressivo, como um alinhamento entre a vontade e a propensão/expansão natural de si”, viaja. Que a coluna Passarinho possibilite altos voos, pra ele e pra todos nós.

_DSC7948

Fotos: Bruno Machado

_DSC7939 _DSC7985 _DSC8014

Comentários