Ir para conteúdo

Onde o Rio encontra o mar

Fotos:
|
Texto: RIOetc
_DSC2040 ok
_DSC1985 ok _DSC2035 ok
Fotos: Juliana Rocha

[Tiago Petrik]

A gente se chama “Rio” supostamente por um erro dos portugueses que aqui chegaram em 1502; teriam confundido a Baía de Guanabara, por onde entraram naquele paraíso tupi, com um rio.

Nossa relação com o mar, de verdade, começou quase quatro séculos depois. Foi quando o prefeito Pereira Passos direcionou a cidade para a Zona Sul e abriu um túnel até Copacabana – então apenas um areal.

A associação do sol e do sal com saúde (não à toa Copacabana tinha um sanatório), a partir de então, criou o que entendemos hoje por estilo de vida carioca. Essa coisa de andar com areia pelo corpo, como se isso fosse (e realmente é, pra nós) a coisa mais natural do mundo.

E é aí que o Rio encontra o mar. O “Rio”, que era baía, bem poderia ser “Mar”.

O novo livro de Maria Lago, carioca exilada em Nova York, tem texto de Isabel de Luca, e explora com imagens de nove fotógrafos (eu orgulhosamente estou incluído nessa turma) essa relação da megalópole com o oceano. Mas não da maneira a que estamos mais do que acostumados a ver.

“Onde o Rio encontra o mar” (Editora Língua Geral, 256 páginas, R$ 71) não tem nenhuma foto do pôr do sol visto do Arpoador. Não mostra a gatinha dentro d’água, nem a manobra radical do surfista sobre a onda. Fala da relação entre a cidade construída à beira-mar e de como seu habitante incorporou os elementos praianos em seu dia a dia. Fala do pós-praia, mais do que tudo. Por isso é um livro único, entre tantos que foram lançados sobre Rio/Mar.

O lançamento acontece hoje, a partir das 18h, no Hotel Arpoador – a poucos passos da paisagem lunar descrita por João do Rio quando esteve naquela ponta pela primeira vez, há um século. Quando o Rio descobria que seu destino era encontrar o mar, e que seriam felizes para sempre.

Comentários