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Na cabeceira: Moda com propósito

Fotos:
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Texto: RIOetc
Moda com propósito - Travessa

Imagem: divulgação Travessa

[Tiago Petrik]

Se você também acordou descrente no mundo por causa da vitória de Donald Trump nas eleições americanas, aqui vai uma dica de remédio: “Moda com propósito”, o novo livro de André Carvalhal (Paralela/Edição das Letras e Cores, 416 páginas, R$49,90). O lançamento é amanhã, a partir das 19h, na Travessa de Ipanema.

Não é por acaso que este segundo livro do André (ex-Farm, atualmente focado, entre muitas outras coisas, na Malha) tem como subtítulo “Manifesto pela Grande Virada”.

O livro começa pelo fim: o fim da moda. Curiosamente, uma tendência apontada pelos maiores laboratórios de pesquisa de tendências do mundo. Ou pelo menos da moda como a conhecíamos até ontem. O próprio armário do André, que sofreu uma brusca rearrumação, sabe bem do que ele está falando. E esse “fim da moda” não se dá apenas pela incapacidade da maioria das marcas de representar seus consumidores, mas pela própria falta de recursos naturais – a conta do planeta simplesmente não fecha.

E apesar de ser (ou melhor: por ser um) um libelo eco-consciente, o livro é acima de tudo um livro sobre capitalismo. Um novo capitalismo, mais solidário, mais colaborativo. “Muitas vezes falar de sonhos (ou de amor) parece bobagem. Mas não é”, diz o publicitário, professor e escritor. E “marcas com propósito só poderão ser criadas por pessoas com propósito de vida”.

André foi a Piracanga e cita o guru Prem Baba algumas vezes ao longo do livro. Mas também foi ao Vale do Silício e cita incríveis inovações tecnológicas a serviço da moda, como a criada pela Venture Heat. Portanto, Pode-se dizer que a reinvenção está em todos os lugares, porque dentro de cada um. “O que estamos vendo (da primeira fila), muito mais do que apenas uma era de mudanças, é uma mudança de era”, em que deveres > direitos em benefício do bem comum. “Sem privação, mesquinharia ou coisa parecida. (…) Na era do capitalismo consciente, quanto mais as organizações realizarem seus propósitos, mais elas vão faturar”.

Mas André não poderia pregar um mergulho interior sem listar uma imensidão de exemplos. Um deles, a da marca de surfwear Mormaii, que colocou a cidade de Garopaba na mapa. Seu criador, que atende pelo apelido de Morongo, recusou uma oferta de R$ 1 bilhão por seu negócio simplesmente porque não via propósito nisso. Você vai ler e concordar com ele.

O autor também compartilha conversas que teve com pessoas a sua volta e experiências que ele mesmo viveu, como a da “Iemanjá branca” da Farm. Ali, por mais que a marca não tivesse tido a intenção de ofender quem quer que fosse, ficou claro para todos – e não é à toa que a Farm é sempre um excelente exemplo – que representatividade importa. Logo depois (mas não por causa do episódio), a grife lançou a coleção Black Retrô, que contou com a consultoria de Juliana Luna, do Project Tribe.

Você vai terminar a leitura sentindo #gratidão e acreditando na “nova revolução industrial”. “Insights mais transformadores são os mais simples (…), vêm de dentro, já existiam”. Feche os olhos e veja. E venha.

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