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Na cabeceira: A moda imita a vida

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Texto: RIOetc

[Tiago Petrik]

Conhecemos o André Carvalhal há pouco mais de seis anos. Ele estava chegando à Farm e, como lembrou na dedicatória que fez para mim e pra Renata, o primeiro e-mail a que respondeu pela empresa foi para nós. E, pra nossa alegria, a primeira dedicatória do primeiro livro que ele escreveu também. Hoje estaremos na Livraria da Travessa de Ipanema para o primeiro abraço de parabéns por “A Moda imita a vida – como construir uma marca de moda” (co-edição Estação das Letras e Cores + Senac). O evento é às 19h, e para não correr riscos, marcamos uma reunião de trabalho no Bazzar, no segundo andar da livraria, um pouco antes. E inauguramos a seção “Na cabeceira” aqui no RIOetc, com essa dica de leitura.

A referência da Farm bastaria para fazer do livro do André algo obrigatório pra quem é do ramo. O cara é gestor de Marketing e Conteúdo da empresa que a cada dia nos ensina algo novo nesta área (pense em ações criativas dos últimos anos, que souberam envolver a “comunidade” Farm, e você vai entender). Mas nosso amigo é sobretudo um estudioso do assunto, e, melhor ainda, adora compartilhar suas descobertas. Dá aulas na ESPM, na FGV, no IED, na Perestroika, no Instituto Rio Moda, no POP; e ainda atua como consultor de algumas empresas – o projeto A alma da Casa, das sandálias Ipanema, tem o dedo dele, e nós orgulhosamente colaboramos. Impressionante é que sobre tempo na vida do André para escrever, isso pra não falar de outras atividades dele, como escalar as montanhas do Rio (tudo documentado no Instagram), remar, surfar e projetar superfícies para paredes, móveis e o que mais você quiser.

Como o título entrega, André considera marcas como organismos vivos e, como um psicólogo, coloca algumas delas no divã, e as analisa na busca do autoconhecimento. Exemplos não faltam. André entrevistou Oskar Metsavaht (“Eu vivo aquilo que prego”), Ronaldo Fraga, Kátia Barros (claro!), Isabela Capeto e Carlos Tufvesson, entre outros. André fala de “arquétipos” e usa termos como “target”, como se espera de um livro sobre Marketing; e cita Nike, Havaianas, Ausländer, Reserva, British Colony, Converse, Chanel. Enfim, está tudo lá.

Mas, entre todos os cases de sucesso, preste atenção no da Honest By: “trata-se de um site de e-commerce em que os produtos comercializados trazem, além da descrição das peças, todos os detalhes da construção (como nome do designer, da costureira, horas trabalhadas) até todo o cálculo da formação de preço do produto, com o custo da matéria-prima, mão de obra e markup descritos. Ah, e também os 20% do lucro que são destinados a ONGs. Aqui também o preço fala muito sobre a peça”. Tudo isso porque o designer Bruno Pieters, ex-diretor criativo da Hugo Boss, teve uma epifania durante uma viagem à Índia, em que decidiu levar a sério a máxima “seja a mudança que você quer ver no mundo”, de Gandhi. Foi lá e fez. E, na cartilha do André (na qual a gente reza), Fazer > Falar.

Como convém a um bom professor, André é didático sem ser óbvio, e, citando nomes como Saint-Laurent (“Com os anos, aprendi que o mais importante em um vestido é a mulher que o veste”), conta uma história que não acaba ao fim das 346 páginas do livro. Vai pra cabeceira, pra ser consultado a qualquer hora.

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