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Muito prazer, Tipi’óka

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Tiago Petrik]

Receita de como começar um negócio promissor e se divertir ao mesmo tempo? A arquiteta Carolina Portal e a designer Fernanda Queiroz têm uma. E elas também têm receitas de tapiocas de guacamole, de rosbife com cebola caramelizada e maionese de wasabi, de gorgonzola com goiabada e de beijinho com canela. É assim que começaram um negócio pra lá de divertido – e saboroso.

Carol e Fernanda trabalham no mesmo escritório, o Índio da Costa. Em muitas manhãs tomando café por lá, descobriram que eram viciadas em tapioca. Mas foi durante uma aula de pós-graduação da Fernanda, de Branding e Gestão de Marca, que nasceu a ideia da Tipi’óka (“tapioca”, em tupi-guarani, ou “ou casa de espremer”, traduzindo pro português). “Virou assunto entre a turma e os professores, todos começaram a dar insights sobre como fazer uma barraquinha bacana, sabores mais descolados, enfim, um produto gostoso que tivesse charme e uma apresentação diferente do comum”, explica Fernanda. “Então a pós ajudou no Design Thinking: qual é o mínimo produto viável? A mesa, um cartão legal, um design agradável. A prototipação deu certo num lugar, então pode dar certo em outros”, explica Fernanda.

Com um pé nas costas – estão mais que acostumadas a esse tipo de desafio no dia a dia –, prototiparam um tabuleiro de encaixe, todo dobrável, para caber num táxi, já que nenhuma das duas tem carro. E, o mais curioso, nenhuma das duas se considera mestre-cuca. “A gente não cozinha, mas tentamos fazer uma coisa diferente. A gente não tem a pretensão de ser gourmet, mas tentamos dar uma repaginada, para nunca ser igual aos das barraquinhas normais, que vendem de coco com leite condensado ou mussarela”, conta Carol. Pra chegar às receitas, pediram ajuda a uma amiga chef – que as ajudou também a chegar ao formato mais crocante, diferente dos “molengas” que são vendidos por aí, e com as gomas anabolizadas com espinafre e cenoura; os aventais foram feitos pela mãe de Carol; a irmã de Fernanda, economista, ajuda a organizar as contas; e assim, de palpite em palpite, de ajuda em ajuda, resolveram fazer a estreia, na cara e na coragem.

Começaram por um evento no templo de meditação Namastê, uma festa pequena que reuniu alguns veganos – e por isso a guacamole fez sucesso. Mas foi durante o Fashion’s Night Out, quando foram convidadas pela Maria Filó a servir a iguaria, que descobriram que existia “um nicho no circuito de moda e design”. Passaram a frequentar a Babilônia Feira Hype e O Cluster. Num mesmo fim de semana – um dia em cada feira –, venderam quase 400 tapiocas, por preços entre R$ 8 e 10. Mas sucesso mesmo elas experimentaram durante o Mimpi. “Goiabada com gorgonzola era a primeira a acabar, talvez por causa da larica da galera”, brinca Fernanda.

Depois de menos de meio ano de mercado, o que começou meio à brinca, meio à vera, caminha pra virar uma realidade: “Quem sabe um dia a gente não consegue viver de tapioca?”, diz Fernanda. Divertido e saboroso a gente já sabe que é.

Fotos: Tiago Petrik

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