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Muito prazer, Marina Lamounier

Fotos:
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Texto: RIOetc

Fotos: Juliana Rocha

Hoje estreia uma nova seção no RIOetc: “Muito prazer,”

Todos os dias abordamos gente na rua. Muitas dessas pessoas têm talentos excepcionais e ótimas histórias pra contar. Sempre fica aquela sensação de que poderíamos ter explorado melhor, conhecido um pouco mais, divulgado com mais ênfase. Então por isso resolvemos abrir esse novo formato. As fotos não são espontâneas, como você está acostumado a ver no RIOetc, e sim combinadas. Tomara que seja um prazer pra você também conhecer essa turma.

[Fernanda Cintra]

Marina Lamounier é ipanemense de coração – ainda que tenha vivido em outras partes da cidade, já habitou diferentes regiões do bairro, sempre conservando o hábito de andar a pé.

Foi caminhando por Ipanema, da Gomes Carneiro ao Jardim de Alah, que ela conheceu seus ícones, ali na mesma calçada, e descobriu a temática que direcionaria seu Projeto de Conclusão na faculdade de Design de Moda da PUC-Rio. Marina, que já passou uma temporada no departamento de Marketing da Mara Mac, agora assiste a cenógrafa Bia Lessa na construção do desfile da escola de samba São Clemente.

Tinha o desejo de fazer uma coleção, mas atrelada a uma de suas maiores paixões, a ilustração. O projeto também deveria ser um tanto pessoal: a ilustração guiaria o olhar e o vaivém de Ipanema funcionaria como uma metáfora para sua própria personalidade alegre, espontânea, engraçada.  Então Marina voltou aos ícones e elegeu a socialite e ex-modelo Beth Lagardère, o dreadlock Damião, o figurinista Júlio Rêgo e a lendária Anna Maria, mais conhecida como “a Mulher de Branco”, como seus personagens. Garis, ambulantes e os próprios hábitos de Ipanema também foram convocados para integrar o repertório de referências que daria o tom da coleção – não à toa, Marina confeccionou uma calça laranja-Comlurb que imita o uniforme dos garis, um long john e tricot que homenageia o Mate Leão.

Ela também entendeu a ligação do carioca com o “pano”, a forma como o amarra no corpo, como carrega a própria canga, e até mesmo o conceito de gambiarra, e pontuou as peças com nós. O resultado literalmente ilustra a intimidade da moça com o bairro, que adora alguns cantinhos específicos, como o silêncio e a calma das ruas mais próximas da Lagoa, e o quarteirão da Aníbal com Visconde de Pirajá, passando pela Livraria da Travessa. Nem a praia ganhou faixa de areia fixa. Vale clicar na setinha e conferir no detalhe os desenhos brejeiros da Marina, especialmente se pra você Ipanema também for um xodó.

Muito prazer, Marina.

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