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Muito prazer, Malha

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Carolina Tardin]

Estamos num momento em que cada vez mais todos os olhos se voltam para a gestão de recursos naturais. Isso é fato, todo mundo sabe, é sobrevivência. Acontece que essa nova organização do mundo começa a afetar – ou melhor, aperfeiçoar – a cadeia de diversos setores. Um deles é a moda (já se ligou na mudança de calendário?). E uma previsão a gente já pode arriscar: os criativos sobreviverão.

A estrutura da indústria como a gente costuma conhecer tem se alterado de diversas formas – são marcas que nascem com o DNA sustentável em seus processos, influenciadores do meio que pregam o consumo consciente e por aí vai. Mais especificamente no mercado de moda do Rio de Janeiro – o mais expressivo do país, em termos de que tudo que rola aqui se reflete a nível nacional – um projeto nasce pra dar um novo rumo pra essa história, a Malha – uma iniciativa do Templo e de André Carvalhal.

Tendo como norte a economia circular, a Malha abre suas portas de coworking num galpão industrial de 1500m² em São Cristovão, coração da moda carioca, para abrigar 40 marcas residentes mais outras 60 em um espaço “flex”. Um processo de curadoria, baseado em critérios como produção local e sustentabilidade, seleciona as marcas que ali vão morar. O alinhamento de marca é um dos pontos fortes – a proposta é que a Malha se transforme de fato numa rede compartilhável, um lugar em que é dividido não só o espaço, mas também maquinário, processos e conhecimento.

Tudo isso funciona da seguinte forma: as marcas residentes compartilham containers fixos (com capacidade para 5 pessoas + mesa de reunião e arara); o espaço “flex” é reservado para as mesas flutuantes numa sala que também é utilizada para cursos e workshops que vão agitar o lugar; o espaço de cosewing, onde o maquinário é compartilhado, é pioneiro na cidade; e o estúdio de fotografia fica disponível de acordo com a necessidade de cada negócio. Ao fim, todos os residentes se reúnem em um e-commerce da Malha. Pros curiosos e amantes, há também a possibilidade de colar na Malha fazendo parte do Clube, tendo acesso a eventos, podendo trabalhar e fazer reuniões. Além disso, também há um espaço reservado para showroom e um café aberto pra quem quiser chegar.

O principal aqui é o desejo de formar uma comunidade, uma rede de fato. O mote é a reinvenção da produção para transformação de processos sustentáveis a partir da organização de pessoas. A consequência disso além do ganho de poder de barganha e da exposição positiva, é a (co)criação de um mercado mais justo e orgulhosamente #feitonobrasil.

Entre as iniciativas, está o processo de capacitação das costureiras de São Cristóvão, com patrocínio da Ipanema. Durante a ocupação, entre março e abril, vão acontecer intervenções artísticas, além de eventos e encontros. E já é pra anotar: dia 14 de abril acontece o Encontro de Moda Inverno 17, do Bureau de Estilo Renata Abranchs, com parte da programação por lá.

Bora mudar o rumo da moda brasileira, reunir forças e colocar mais negócios engajados na rua? As inscrições para fazer parte estão abertas até 15 de março.

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Fotos: Juliana Rocha

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