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Muito prazer, Lucas Fink

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Bruno Machado e Tiago Petrik]

Poucas pessoas podem, aos 16 anos, dizer que são os melhores do país naquilo que fazem. Lucas Fink é um deles. O carioca é o atual campeão brasileiro de skimboard, aquele esporte da pranchinha que desliza não só pela areia, mas também pelas ondas. De quebra, ainda carrega o título de bicampeão mundial amador. Na temporada atual, está em sexto lugar do ranking profissional.

Ainda cursando a escola (“termino este ano, graças a Deus!”), ele conta que o segredo para levar as duas atividades em paralelo é justamente a dedicação. “Se eu tirar boas notas, sei que vou poder viajar e fazer o que gosto, então meio que uso isso como combustível”, explica o garoto.

A profissão surgiu de forma naturalíssima para alguém criado entre o Leblon e Ipanema. Aos seis anos, foi apresentado à pranchinha por alguém do prédio onde mora. “Eram pranchas de madeira do Wilson, lá do Vidigal”, lembra, citando o shaper que foi um dos pioneiros do esporte no Brasil. “No primeiro dia já estava conseguindo deslizar na areia, e então pedi uma prancha de Natal. Comecei a treinar nos fins de semana, e virou um hobby. Quando tinha uns 10 anos, comecei a pesquisar e vi que poderia ser muito mais que um hobby. Comprei uma prancha de fibra, que dá para manobrar bem e surfar a onda, e a partir daí me apaixonei”, conta. “É uma relação que espero que dure muito mais”, diz o já experiente Lucas. Bill Bryan, o equivalente a Kelly Slater desta modalidade, tem 42 anos e, como o surfista, ainda compete. Se Lucas seguir seus passos, tem quase 30 anos de prazer pela frente.

Pra quem imagina uma vida de pura curtição, porém, Lucas avisa: é uma rotina que exige dedicação. Atualmente, o campeão conta com apoio de algumas empresas do esporte, mas ainda não pode dispensar o “paitrocínio”. “Mas já existe gente que vive de skimboard, e tá começando a ganhar cada vez mais apoio no Estados Unidos”, festeja. Nos campeonatos, julga-se a habilidade do praticante em escolher a melhor onda, usando-a da melhor forma, a distância da areia, a radicalidade das manobras. No circuito mundial, são oito etapas, uma delas em Ubatuba (SP), na mítica (para os skimboarders) praia de Sununga.

As técnicas do skimboard vêm do surfe, como é de se imaginar, do skate, do snowboard e do wakeboard. “Busco no surfe e no skate novos elementos para trazer para o skim”, diz. A relação dos praticantes de skim e de surfe, aliás, é pra lá de bem resolvida: “a gente nunca está disputando as ondas, então não existe rixa. Mas tanto nós como eles observam e aprendem novas manobras com os outros”, resume.

Seus planos imediatos? Terminar o colégio, melhorar ainda mais os resultados em nível mundial, e então montar um projeto para conseguir patrocínio. “Quero fazer faculdade mas talvez mais pra frente”, diz. Por ora, ele mesmo administra seu Instagram e sua página no Facebook, mas já está recebendo ajuda de uma agência. Pra dar uma voltinha com o Lucas em sua prancha, play nas setinhas.

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Fotos: Bruno Machado e Tiago Petrik

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