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Muito prazer, Laje

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Tiago Petrik]

Então o aluno chega com sono à sala de aula, aborrecido, e o professor, idem, começa a rabiscar com o giz (ainda se usa giz?) na lousa (ainda se fala lousa?) algo que não se sabe exatamente se vai servir para alguma coisa. “A verdade é que o modelo educacional vigente há mais de cem anos é esse: alguém falando na frente para um público que apenas está prestando atenção no que ele diz. E isso tem que mudar”, avalia a designer Clarissa Biolchini, diretora de Inovação da Laje. A Laje é o novíssimo braço da empresa Ana Couto Design, pioneira em Branding no Brasil, na época em que nem se falava a palavra “Branding” por aqui.

“Nossa meta é disseminar conhecimento através de um aprendizado aplicado e coletivo, trabalhando com propostas reais”, explica Ana Couto. Por exemplo: com as ferramentas de Design Thinking aplicadas a uma empresa social, sob supervisão das mestras no assunto, os alunos de fato podem criar propostas de valor e metodologia de trabalho e trazer inovação a essa empresa, que não poderia pagar por um serviço profissional do gênero. “Estou muito acostumada a fazer workshops, e às vezes as pessoas nas aulas criam coisas incríveis, e não são aplicadas, a ideia morre lá. Dá pena da ideia não ser aplicada. Por isso essa escolha da aplicação social”, explica Clarissa, que já ouviu de alguns ex-alunos a seguinte (e deliciosa) frase: “Depois do curso, resolvi mudar de profissão”.

A Laje – que tem esse nome por não ser numa laje (e nem tudo precisa ser “normal”, como elas defendem) – funciona na charmosa casa onde fica há 13 anos o escritório de Ana, na Gávea. A primeira noite de funcionamento, nesta segunda, já foi de casa cheia – 40 das cadeiras Pantone aí das fotos estavam preenchidas – para uma palestra que não ficou no esquema “palestra”, acabou virando workshop, com a entrada de mesas em cena, rearrumando o espaço. Mas cursos com duração maior já estão disponíveis, numa grade que pretende, em breve, oferecer também MBAs. Os cursos são abertos a qualquer profissional, e não apenas a designers, como o termo “Design Thinking” pode fazer supor. “Design Thinking é pensar como designer”, resume Clarissa. “Mas não se aplica só a Design. É solucionar problemas”, completa Ana.

Assim, obviamente, não é apenas para “empresas sociais” que a Laje existe. Um braço igualmente importante é a realização de workshops para grandes empresas que precisam repensar seus processos em busca de agilidade. Ou ainda uma nova empresa que já quer entrar no mercado com seus mecanismos azeitados. “Para quem está começando um negócio, nascer com uma proposta de valor é relevante. A taxa de mortalidade de pequenas empresas é muito alta”, lembra Ana, porque boas ideias não sobrevivem sem método. “A gente vai co-criar soluções, e não impô-las”, diz Clarissa, que acaba de voltar de Amsterdam, onde foi conhecer novas experiências do gênero da Laje e fechar parcerias. E, embora a Laje tenha uma casa linda, ela pode ser itinerante, oferecendo seus serviços dentro de empresas, não apenas do Rio. Então bem-vindos à nova sala de aula.

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Fotos: Tiago Petrik

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