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Muito prazer, La Berlina

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Tiago Petrik]

A designer Isabel Elia Ziviani não tem nenhum ancestral alemão. Mesmo assim, estudou no colégio Cruzeiro, no Rio. “Meus pais achavam importante que eu e meu irmão aprendêssemos um idioma difícil logo cedo”, ela ri. Não imaginavam que a filha um dia faria as malas pra se instalar em Berlim. Primeiro, apenas para um mestrado – afinal, a cidade que viu nascer a primeira escola de Design do mundo, a Bauhaus, continua sendo uma importante referência no assunto. Era 2009 ainda. Mas a Bel acabou ficando.

Sua curiosidade a levou a criar, logo depois, a melhor ponte Rio-Berlim: La Berlina, uma antena que capta de tudo. O site é o melhor guia não-formal da capital alemã, especialmente dedicado a visitantes brasileiros que, como é comum, não sabem lhufas do idioma de Goethe.

Mas a Berlina é muito além disso: tornou-se uma consultoria criativa, apontando soluções (à distância ou não, já que seus clientes não são apenas brasileiros). Então, dependendo da demanda, a Bel pode pesquisar os melhores cafés da cidade para uma marca que quer entender a relação dos habitantes locais com esses ambientes – o que ela já fez! – ou adaptar roteiros de pesquisa especialmente para quem está indo captar as tendências da cidade que, como se sabe, muda o tempo todo. Esta, aliás, é uma ideia que ela está reformulando juntamente com suas duas sócias, e que vai acontecer como um workshop aliado a um tour de aprendizado pela cidade. Não por acaso, há três anos ela se instalou numa casa de co-working, onde o compartilhamento de experiências é praxe.

Quando morava no Rio, a Bel chegou a trabalhar na Farm, então também entende um bocado de moda – ou seja, as pesquisas podem ser também sobre isso, embora a berlinense não seja a mulher mais ligada no último corte. “A cidade passou por duas guerras mundiais e viveu a experiência do muro. As pessoas aqui sabem viver com pouco e reciclar o que têm”, avalia a Bel.

E se você é só um curioso, mesmo sem nenhum plano de visitar Berlim, a gente garante: vale a visita no site. Pra saber, por exemplo, por que os alemães têm a mania de guardar suas (muitas) garrafas vazias. La Berlina não fica no rasinho. Pode ir fundo que vale a pena.

 

Tiago Petrik

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