Ir para conteúdo

Muito prazer, Kihu da Terra

Fotos: Leticia Kaminski
|
Texto: Tiago Petrik

(A partir de hoje, nossa coluna Muito Prazer vai trazer projetos que se reinventaram para sobreviver à pandemia. Uma maneira de divulgar e ajudar que essas ideias prosperem no mundo pós-pandêmico)

Árvores carregadas de frutas, horta, nascente, ducha e piscina natural. Quando o ator Cecil Thiré comprou o pedaço de terra (e água) em Piraí há 35 anos, pensava em fazer de lá o refúgio da família. E assim foi por décadas. Em 2015, seu filho Carlos – escritor e diretor teatral – resolveu celebrar o aniversário de seus filhos gêmeos, então com 9 anos, nos moldes de uma colônia de férias. Sem querer-querendo, nascia a Kihu (@coloniadeferiaskihu).

A festa virou sonho, e logo depois, atividade profissional. E o sítio – a 100 Km da Zona Sul do Rio, na Serra do Matoso – reuniu centenas de crianças e adolescentes nos últimos anos, em torno de brincadeiras artisticamente elaboradas.

– Na Kihu, crianças de 8 a 14 anos viajam para passar uma semana inteira totalmente imersas na natureza, sem eletrônicos, longe dos pais. Elas fazem três brincadeiras coletivas por dia e dormem em acomodações sempre na presença dos monitores, jovens que participam de tudo e se conectam com as crianças de uma maneira especial – conta Carlinhos.

A pandemia do novo coronavírus pegou a Kihu no fim da temporada de verão. A princípio, imaginaram tratar-se de algo passageiro, e aproveitariam para fazer uma pequena reforma. Porém, logo a Covid-19 mostraria que negócios que não se reinventam têm mais chances de fechar.

– Com a pandemia, decidimos aos poucos ir passando períodos mais longos direto no sítio. Fomos nos envolvendo no dia a dia do plantio, valorizando a possibilidade de oferecer para nossa família uma alimentação saudável, fruto da terra e do trabalho do Zalmir, o caseiro do sítio, que sempre tomou conta de tudo sozinho – diz Leticia Kaminski, mulher e parceira de aventura de Carlinhos. – A primeira colheita do que nós mesmos plantamos, milho, quiabo e feijão, com nossa filhinha de 2 anos, foi emocionante – lembra.

Veio então a ideia de levar os produtos do sítio às famílias das crianças – ainda privadas de frequentar a Kihu.

– Em meio a inúmeras reflexões sobre como continuar a Kihu na pandemia ou de como retomar de alguma maneira o contato com as crianças, a ideia de compartilhar esse gostinho de amor, alegria e saúde nos confortou. Fez sentido também expandir essa rede de entregas para amigos e familiares, independente de já conhecerem ou frequentarem a colônia – explica Carlos Thiré.

Além dos amigos/clientes, Letícia e Carlinhos conseguiram ajuda da Muda – loja de comércio sustentável – e do projeto SustentACÃO para conceber a sacola que passou a ser a forma de entrega dos kits da Kihu da Terra. A cada quarta-feira, eles entregam no Rio o delicioso queijo Minas, ovos e as frutas da semana. Um negócio que tem tudo para continuar mesmo depois que todos estiverem vacinados.

– Estamos doidos para voltar à nossa atividade principal, que é oferecer uma infância saudável para as crianças, por meio da diversão na natureza. Porém a verdade é que nunca antes o sítio se pagou com a produção própria. Os custos dos funcionários, dos cuidados com animais e manutenção geral existem mesmo nos meses que não tem Colônia. Então a vontade de manter a Kihu da Terra fora dos períodos das temporadas é grande. São dois negócios diferentes e queremos acreditar que são conciliáveis – avalia Carlinhos, que perdeu o pai e idealizador do “refúgio” familiar em outubro do ano passado (não foi vítima de Covid). Infelizmente, antes de ver a nova transformação da Kihu, que começou em janeiro deste ano.

Letícia lembra que os pedidos podem ser semanais, quinzenais ou avulsos. Para receber o kit Kihu da Terra é só fazer contato via WhatsApp no número (21) 98141-1784. No Instagram da @coloniadeferiaskihu, o destaque Kihu da Terra traz registros dessa nova vida e informações espontâneas sobre os produtos.

Comentários