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Muito Prazer, Bloco Eficiente

Fotos:
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Texto: RIOetc

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Fotos: Tiago Petrik

[Tiago Petrik]

“Minha filha se enrolou com o cordão umbilical e ingeriu mecônio. Nasceu muito deprimida, cianótica, com baixa oxigenação e batimentos cardíacos quase nulos”, conta a jornalista Bruna Saldanha no primeiro post de seu blog, Mãe da Izabel. Depois do parto complicado, a bebê teve que ser reanimada pelo pediatra. “E aí foi quando a minha vida recomeçou. Em todos os sentidos. Um mundo novo com muitas coisas boas e outras, assustadoras se abriu para mim. Um mundo de responsabilidades imensas e amor incondicional”. A cena descrita acima tem sete anos. De lá pra cá, Bruna descobriu as dores e a delícia de ter uma filha com paralisia cerebral.

Bruna sempre foi uma foliã animada. E Izabel, sua companheira de carnaval desde seu primeiro ano de vida. Em 2014, uma inspiração a levou a escrever a “Marchinha da Cadeirinha”, que virou o hino do Bloco Eficiente, que fará seu terceiro cortejo amanhã, na Praça Paris. Participam crianças com necessidades especiais, seus familiares, amigos e terapeutas. Lá praticam o carnaval da forma mais inclusiva possível, animados por músicos da Terreirada Cearense e do Noites do Norte (de quem a gente já falou aqui).

“Começou como uma ala dentro do bloco Mendigos da Zona Sul, que é formado por amigos da época de escola que abraçaram a causa. Foi bem mais gente do que eu imaginava, e percebi que dava pra fazer uma coisa um pouquinho maior. Então ano passado me juntei com o pessoal das clínicas onde minha filha é atendida (links aqui e aqui) , terapeutas e outras mães”, diz Bruna. Desta vez em parceria com a turma do Movimento Artísitico da Praia Vermelha, fizeram um bloco parado em 2015.

Para este ano, também são aguardados os integrantes do Coletivo Pernalta e do Barracão da Potí, grupos dos quais Bruna faz parte. A concentração será animada por uma oficina de percussão, seguido do cortejo. “Algumas crianças têm mobilidade ou um poder cognitivo mais reduzido, é uma atividade lúdica, de convívio, mas há uma ideia de que aconteça uma intervenção terapêutica nesses eventos, com profissionais para atividades recreativas com um olhar mais treinado, mas mantendo a pegada lúdica”, vislumbra Bruna, já pensando nos próximos carnavais – e também nos outros 361 dias do ano, com a ideia da criação de uma ONG, que já tem até nome: Seja eficiente.  “Não é a condição ideal, mas é possível. Esse legado eu tento passar desde o princípio, com o livro que escrevi, com meu blog, com o bloco”.

Na foto que ilustra este post, aparecem além da pernalta Bruna, seu namorado Mig Martins (do Noites do Norte, e que também tem um filho especial), Taís Bezerra e Igor Conde (da Terreirada), e o fotógrafo André Rola, do Barracão da Potí e pai de Bárbara, a cadeirante.

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