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Muito prazer, Bicicleta – Literatura Coletiva

Fotos:
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Texto: RIOetc

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Fotos: Tiago Petrik

[Tiago Petrik]

A editora Raquel Maldonado, 34 anos, tem uma irmã gêmea. Depois que deixaram o útero da mãe, as duas ainda conheceram outros seis irmãos. “Tive que dividir quarto, tive que dividir tudo”, diz, entre risadas. Isso talvez ajude a explicar seu novo projeto, Bicicleta – Literatura Coletiva, braço do Catarse para produtos editoriais. “Uma crença que eu tenho é que o futuro do mundo é colaborativo. Hoje existe um individualismo muito grande, as pessoas sofrem separadas, quando poderiam estar satisfeitas juntas. Cada um dá o que tem e todo mundo ganha”, explica.

Depois de trabalhar mais de sete anos em duas das principais editoras do país – Objetiva e Leya –, Raquel sentiu que era hora de abrir seu próprio negócio. Já se sentia capaz de gerenciar projetos em todas as etapas, da parte gráfica ao Marketing (ela também estudou Publicidade e Jornalismo, além de Produção Editorial). Com amigos que viraram sócios, abriu a Bookstorming, que já tinha essa pegada do crowdfunding. “Primeiro fizemos um teste para ver como o leitor respondia, e deu certo, foi uma experiência legal. O problema foi a parte de tecnologia, que não era nossa expertise”, conta. Por isso, procurou o Catarse, que se tornou parceiro na aventura.

O primeiro projeto é “Memórias de um imperador – Ô, sorte!”, uma breve biografia do sambista Wilson das Neves, escrita pelo historiador Guilherme de Vasconcellos Almeida. Entre as recompensas prometidas tem até uma feijoada na presença do biografado, ou ainda a possibilidade de desfilar no Império Serrano no carnaval que vem. O próximo da fila é um livro dos humoristas Hermes & Renato (Raquel adianta que uma das recompensas é participar de uma suruba com eles!).

Mas não só de livros vai viver a plataforma. Para 2017, Raquel planeja um festival literário feminista, que terá também música e cinema. “É algo amplo. A gente quer voltar mais para autores nacionais, mas ter a Gloria Steinem participando seria uma utopia”, diz Raquel, que se considera uma feminista não-militante.

Ainda na área de eventos, já está em planejamento uma feira especializada em livros de fantasia. “Em São Paulo existe a Comic Con, mas é mais ampla. A ideia é uma minibienal com estandes de editoras que tenham essa temática, junto com um concurso literário, que teria uma banca para analisar os textos”, adianta. “A galera de 18, 19 anos tá lendo muito mais do que na minha época. Às vezes até mais novo. O autor às vezes vira popstar, dá uma palestra, todos querem conhecer, bem bacana”, diz, sobre o filão da fantasia.

Filmes e peças de teatro que tenham como base uma obra literária também podem entrar no financiamento via Bicicleta. E a essa altura, já chegando ao fim do texto, você se pergunta: mas de onde vem esse nome, Bicicleta?! “Uma das minhas irmãs, a mais nova, morou em Piracanga e faz leitura de aura. Fizemos uma para achar um nome, e saiu esse. Além do mais, o desenho do logo é de uma bicicleta dupla, daquelas que você compartilha com mais alguém.” Bora embarcar!

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