Ir para conteúdo

Muito Prazer, +ALMA

Fotos: Tiago Petrik
|
Texto: Fernanda Prestes

Dizem que os millenials, ou geração Y, foram responsáveis pelo reforço do politicamente correto e isso reflete diretamente no consumo. Esses jovens prezam por uma compra mais ética e consciente, que se preocupe com o meio ambiente, com os animais e a sociedade. Pensando nisso, e percebendo a dificuldade que certos produtores de moda e design têm em comercializar seus produtos, a Ana Paula Fracasso e a Júlia Bedolo – duas paulistas que tiveram o coração roubado pelo Rio – lançaram, há um ano e meio, a +ALMA. O site – hoje com 39 marcas – abriga peças de diferentes produtores e artistas que são especialmente selecionados pela Ana. “Começamos focadas no eixo Rio-SP, que é onde tem maior disponibilidade de produtos. Mas já entrou gente de Minas, de Porto Alegre. Até final de abril a gente deve chegar a 60 marcas e a ideia é chegar a 100. Estamos tentando mais marcas do Norte e Nordeste”, conta.

Antes da +ALMA, as duas amigas de faculdade tinham outros trabalhos e a Ana chegou a tirar dois anos sabáticos até definir o que realmente queria fazer dali pra frente. “Eu comecei a pensar no que eu gostava e ia sempre pro lado da arquitetura, arte. Comecei então a frequentar feiras e senti a necessidade dos artistas em comercializar aquelas peças. Eles focam muito na parte de criação, design e produção e não conseguem comercializar. Eu percebi o gap desse mercado e comecei a pensar em como seria possível ajudar esses artistas a se manterem”, explica. Já a Júlia, que chegou primeiro em terras cariocas, ligou pra Ana pra trocar figurinha, pois já estava atrás de algum empreendimento novo por aqui, e juntas começaram a loja online.

E o que isso tem a ver com a geração Y? Hoje todos os produtos do site são 100% veganos. É o que as meninas chamam de um consumo ético: elas mapeiam toda a linha de produção das peças que estão no site e certificam pro comprador que nenhum animal foi maltratado. “Nós até nos surpreendemos, pois quando fizemos essa mudança pro consumo consciente e deixamos bem claro no site, nós tivemos um boom. Até pensamos que ia diminuir, achamos que teríamos que investir mais em marketing, pois muita gente não entenderia o conceito, mas muito pelo contrário”, explica, animada, Ana.

“Quanto mais afunilado e mais focado a gente foi ficando, funcionou melhor. As pessoas entenderam a proposta e a gente passou a ter mais venda, mais interação nas redes sociais, mais seguidores, mais tudo! Nós já tínhamos os 8 ícones éticos no site e um deles era o vegano. Não eram todos os produtos do site que eram veganos, mas alguns produtos já correspondiam a esse ícone. Então desde o começo de março a gente tirou todos os produtos que tinham matéria-prima de origem animal e viramos oficialmente um site vegano. Não que todas as marcas que estão na +ALMA sejam veganas, algumas produzem couros, mas esses produtos não entram na nossa curadoria”, explica Júlia. E a vontade de tornar o site totalmente vegano veio justamente de uma dificuldade de investigar toda a cadeia produtiva das mercadorias e que é, na maioria das vezes, a mesma dificuldade do consumidor vegano na hora de realizar uma compra.

Com marcas e iniciativas transparentes assim, fica mais fácil, né?

Comentários