Ir para conteúdo

Uma casa que já nasce com alma

Fotos:
|
Texto: RIOetc

Fotos: Tiago Petrik

[Manuela Porto] 

Foram muitos meses de obras e mais de dois anos sonhando. Da idealização do projeto à realização, somaram histórias, experiências e muita expectativa. Mas, mesmo com tudo em pé, transformado em algo tangível, ainda falta muita história pra ser construída. A Casa Ipanema, que abre suas portas ao público na segunda-feira, dia 24, nunca teve a pretensão de ser uma loja. Com a responsabilidade no nome, a marca de sandálias precisava imprimir o que um dos bairros mais famosos do mundo representa. E Ipanema representa novidade. Foi ali, naquelas areias, que surgiram modas, movimentos, artistas com ideias de mudar o mundo. E é ali que o mundo converge em uma energia tão própria, tão fluida. E se no imaginário de cada um o cheiro da brisa de um mar que parece começar no Arpoador e terminar no Dois Irmãos desperta sensações tão especiais, o projeto tinha a responsabilidade de ser uma extensão disso.

O pré-requisito era só um: ser tão aglutinador quanto a praia, esse espaço democrático onde todos se despem, das roupas e dos rótulos. Convidar àqueles que vêm e que passam a entrar e se sentir a vontade. E que lugar é melhor do que a própria casa para se sentir assim?

Pois a Casa Ipanema é sua também. Na fachada não existe porta, afinal a brisa do mar precisa continuar fluindo, e a calçada não tem limite, ela adentra o espaço, e sobe, até o último andar, onde vai ao encontro do piso azul, que pode ser o mar, pode ser o céu. O fundo é infinito e a sala também é a rua. O que está dentro também está fora e os moradores são aqueles que constroem, juntos, a história do bairro.

A casa vai ser ocupada por arte, música e moda. Para abrir os trabalhos, a exposição “A Alma da Casa”, formada por entrevistas e objetos emprestados por 17 ipanemenses convictos. Cada um deles contou as suas histórias e escolheu algo simbólico para emprestar para o espaço e, assim, transferir um pouco da própria casa para a Casa Ipanema. Esses objetos se espalham por todos os três andares e representam a memória do bairro, e decoram esse lar totalmente colaborativo.

E colaboração é a palavra certa. O três andares são divididos com a intenção de gerar trocas e formar um hub de conexões, onde o antigo e o novo se cruzam. Na “rua” fica a sala de estar, para entrar e relaxar; no segundo andar, um espaço interativo e de customização, onde você pode fazer a própria sandália, e onde vão acontecer oficinas e eventos. Lá também ficam as marcas parceiras, como Aragem, Salinas, FYI e Lenny, já que a proposta é abrir as portas para todos que inspiram. No último andar, já apelidado de “laje”, um espaço aberto para exposições, palestras e workshops. Mas vale lembrar que essas divisões são orgânicas, e podem mudar conforme a demanda.

A ideia é que a história desse espaço seja construída por várias pessoas. E, com o tempo, que seja uma extensão do bairro para os próprios ipanemenses e mais quem quiser entrar. Durante a obra, inclusive, os moradores ficaram desconfiados. Passavam, olhavam, acompanhavam e exigiam saber o que era aquilo que estava sendo construído “no meu bairro”. Com o sentimento de superproteção, característico de quem cuida, essas pessoas começaram a fazer parte da história antes mesmo de tudo ficar pronto – o que, no final, fazia todo o sentido. Uma dupla de senhores visitava todos os dias a Casa e rogava a praga: “isso aí não vai ficar pronto não, hein!”, “tem muito pouco tempo…”, “será que dá?”. Pois deu, e esta semana lá estavam eles, pela primeira vez cheios de elogios e até orgulho, como se fosse obra deles mesmos.

Quando abrir, a Casa Ipanema já terá uma programação. Além do aluguel de bicicletas e aulas de stand up paddle todas as quartas, um workshop com a estilista Lenny Niemeyer está sendo preparado. A exposição A Alma da Casa – que foi fotografada por nós, do RIOetc – fica até abril. Em breve eles lançam o site, e vai ficar mais fácil acompanhar toda a movimentação. A gente deseja vida longa e muito amor. ;)

Anota aí o endereço para dar seu confere pessoalmente: Rua Garcia d’Ávila, 77.

Comentários