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Hotel da Loucura

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Juliana Rocha]

Visualizem um hospício.

Agora jogue um monte de tinta por todos os lados, que vou te contar sobre um lugar que rompe com todos os estereótipos da loucura e se propõe a ser seu hotel. Fica num dos prédios do Instituto Nise da Silveira, que ocupa um quarteirão inteiro no Engenho de Dentro. Sim, é um hotel mesmo, que recebe médicos, artistas e pesquisadores dispostos a pagar a conta com convivência. Ali os pacientes viram clientes e todo mundo é igual.

E as paredes são TODAS coloridas.

Desde o começo a intenção era ocupar com arte o que tinha antes tinha cara de hospital. Primeiro foi o terceiro andar e, recentemente, o quarto. Este virou uma verdadeira galeria com a participação de grafiteiros bastante conhecidos, como Ment, Bruno Big, Smael e o Acidum, que a gente já entrevistou por aqui. Carlos Bobi foi o responsável pelo chamado que envolveu artistas de várias idades e estilos, e dá pra dizer que ele ‘abraçou a causa’ por tempo indeterminado. Agora ele tem uma sala, almoça por lá e, se pudesse, pintaria o lugar inteiro!

Vitor Pordeus, o médico idealizador do projeto, estava de regata e recitava Hamlet numa sessão de teatro. Levantou duas vezes pra abraçar uma cliente que estava triste e queria café.  Vitor é coordenador do Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, e começou o projeto em 2012, inspirado no trabalho de humanização no tratamento psiquiátrico realizado pela Nise. Ela é a grande musa inspiradora e seu altar é um grafite rosa no meio das escadas do quarto andar.

Discípula de Jung, oferecia a criatividade como tratamento nos anos 50, quando o eletrochoque e a lobotomia eram práticas comuns. Com as obras resultantes de oficinas, ela criou o Museu de Imagens do Inconsciente em 1952, destinado à preservação dos trabalhos como para uma compreensão mais profunda do universo interior do esquizofrênico.

 

 

Fotos: Juliana Rocha

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