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De outro mundo

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Fotos: Juliana Rocha / Texto: Clara Mazini]

A Letícia e o Lucas, do Letuce, são dois astros – não no sentido “midiático-paparazzi”. Eles são dois astros celestiais! Ela é capricorniana com ascendente em virgem, tem uma voz cósmica e um sorriso cheio de estrelas no céu da boca. Ele é um taurino tranquilo que tira notas astrais do violão. Do alto de seus (quase) 1,80, os dois parecem querer tocar o céu. E tocam. Em alto e bom som.

Juntos há quase cinco anos, eles são namorados, parceiros de banda e almas gêmeas, por que não? “Sabia que o amor da minha vida ia ser taurino”, a Letícia contou pra gente durante a nossa visita ao cafofo do casal. Ela, que faz até curso de astrologia, sabe muito bem que nada nessa vida é por acaso…

Há um ano a dupla juntou as escovas de dentes e se mudou para um apê superaconchegante no Rio Comprido. Cercados por muito verde, eles construíram ali um universo particular cheio de boas energias para compor as letras espaciais que cantam por shows pelo país. Nossa viagem começa pela sala. Ali cruzamos com ilustrações de Asterix e Obelix, desenhos do André Dahmer, um liquidificador recheado de corações e até uma Torre Eiffel coberta por flores e joaninhas, além de poemas emoldurados em porta-retratos e várias outras delícias decorativas. Ali duas paredes são cobertas por tinta laranja. “Me disseram que essa é a cor da minha aura”, nos revela a solar Letícia. E tem como duvidar?

No lar da dupla muita coisa parece saída de um mundo mais gostoso e poético. Até os animais de estimação: do lado de fora da casa, pássaros de madeira sobrevoam eternamente as plantas da beira da janela, deixando a vista da sala com uma cara permanente de primavera. E dentro do apê as girafas dominam o ambiente. Elas, que viraram uma espécie de mascote da banda, estão por todos os cantos, nos espiando com seus pescoços compridos. Muitas são presentes de fãs. A Letícia, que tem até uma girafinha tatuada (clica aqui pra ver!), nos confessou que ama bichos pouco convencionais e que adoraria ter um rinoceronte. “Ia ser demais ele nadando na piscina do prédio, né?”, ela nos diz, deixando a imaginação voar alto.

Atravessando o corredor chegamos ao quarto do casal. Lá uma luminária de pimentinhas pisca sobre a cama como pequenas estrelas e uma almofada de TV empresta um visual de arco-íris aos lençóis brancos. Outras cores que transbordam pelo quarto são as que ilustram a biografia da pintora Frida Kahlo, atual livro de cabeceira da Letícia.

Impossível não lembrar os versos da música “Ballet da Centopéia”: “embaixo da minha cama / eu quero um chafariz / nenhum fantasma me assombra”. Bem que ali poderia ter um mesmo….

No terceiro e último cômodo a dupla guarda suas lembranças e sonhos; são brinquedos, álbuns de fotos da infância e anotações antigas que nos transportam para um outro tempo. Por ali também encontramos alguns livros de mestres da literatura – como Julio Cortázar, Ítalo Calvino e Sófocles – que nos mandam para outros espaços. Dentro do armário de madeira encontramos também algumas criações da Letícia – fã de trabalhos manuais – que nos deixam nas nuvens, como um sapato decorado por letras de teclados de computador (que ela inclusive usa em shows) e algumas colagens com uma pegada surreal-amorosa. Viagem boa que só…

Dá até pena de voltar pro mundo real. Mas o planeta terra chama e descemos os degraus do sétimo andar em direção à rua. Antes, uma espiadinha na piscina para nos despedir do rinoceronte. Pronto, agora sim podemos ir.

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