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A casa não tem fim

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Carolina Tardin]

Chega à Gávea. Sobe a rua. Depara-se com o 358. Olha pro alto. Prédio baixo, com cara de casa. Simpático. Entra no apartamento e as luzes vermelhas destacam a premissa: “Protect me from what I want”. Depois do encantamento inicial com as letras formando a frase enigmática no topo da parede da sala, Ana Teresa Bello nos recebe com muito carinho pra mostrar cada canto de sua casa – que por sinal, tem muita história pra contar.

Designer de Interiores, Ana trabalha no escritório de arquitetura Paola Ribeiro há oito anos e se divide entre Rio e São Paulo (onde fica sua outra sede), desenvolvendo trabalhos de decoração com seus clientes. A dobradinha não é nada pra quem tem espírito viajante: só neste ano, Ana já visitou o Japão, onde ficou vinte dias e se encheu de inspirações; a Itália, para participar da Feira de Design em Milão; e outros lugares como Alemanha, Emirados Árabes e Chile. E o cansaço está longe de bater: seus próximos planos de viagem estão em terras amazônicas!

As mudanças de cenário são mais que justificáveis. Nas viagens é que ela respira novos ares e se alimenta de novidades não só pro seu trabalho, mas também pra vida. Além do mais, tudo é pano pra manga pra sua outra paixão, a fotografia. Uma arte está relacionada à outra: seu desejo de explorar os espaços vazios e desnudar a relação do humano com os espaços acaba por retratar a poesia do cotidiano de formas variadas.

A fascinação pelo jogo de contrastes se faz presente no ambiente. Sala, quarto, banheiro, cozinha e área externa são concebidos pela mistura de objetos novos e antigos. Ana curte bastante garimpar coisas inusitadas e imprevisíveis. “Minha casa está sempre mudando, eu vivo muito ela. É como um laboratório pro meu trabalho e o espelho da minha alma”. Por sinal, alma de artista – começou a colecionar peças desde cedo e herdou algumas dos pais. Sua casa é a reunião de tudo que gosta.

A questão é que o lugar, além da beleza, tem vida. Ana se mudou pro apê há três anos e gosta muito de levar os amigos pra trocar uma ideia. A casa tá sempre recebendo gente diferente, e o ambiente favorece muito essa troca – os cômodos são conectados e a cozinha, em estilo americano, é aberta.

Ao final da visita, propomos um desafio inspirado no The Burning House: quais objetos Ana levaria embora consigo se a casa estivesse em chamas (toc, toc, toc)? Não foi fácil escolher. Cada objeto ali carrega uma história, seja uma lembrança de um amigo querido, ou um lugar que conheceu. Por fim, os escolhidos foram: câmera fotográfica, computador, o livro “Take Care of Yourself”, de Sophie Calle (presente de um amigo e autografado pela autora), e a caixa “A Box of Smile”, um trabalho de Yoko Ono que trouxe de Nova York.

E falando de inspirações, aqui vão os lugares preferidos da Ana:

Galeria Silvia Cintra;

Galeria Anita Schwartz;

Tate, em Londres;

MoMA, em Nova York;

Naoshima, ilha artsy que visitou em sua viagem ao Japão;

Repleta de ideias borbulhando na cabeça, Ana mal pode esperar pra reiventar o ambiente. “A casa não tem fim”.

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Fotos: Juliana Rocha

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