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A casa dos artistas

Fotos:
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Texto: RIOetc

Fotos: Juliana Rocha / Texto: Clara Mazini

 

Nam myoho rengue kyo. É essa a frase que decora o cartão que a bela Marina Ribas nos entrega assim que chegamos ao seu adorável apê. “Nam” significa “devoção”; “myoho” é “lei mística”; Rengue é “causa e efeito” e Kyo, “ação”. Trata-se de um mantra sagrado do budismo de Nitiren.

Outra frase que também chama a nossa atenção está pendurada na porta de entrada: “A house is not a house without a Doxie” (Uma casa não é uma casa sem um dachshund).

Sim, ela é budista e adora cachorros. A visita começa bem.

Dona de um sorriso solar, a artista plástica e designer da Langak é o tipo de pessoa que não passa despercebida por aí. Impossível não notar essa moça alta e magra, com os olhos pintados de rosa, os cabelos que chegam quase na cintura e o corpo coberto por acessórios mil. Mulher de tantos detalhes inusitados, ela faz de seu cafofo (dois quartos, área externa, sala ampla, cozinha iluminada, pronto pra morar, oferta imperdível) um reflexo do seu estilo de vida nada previsível.

É ali, no primeiro andar de um prédio baixinho, próximo à feira da General Glicério, em plena parte cidade-do-interior de Laranjeiras, que ela vive há sete anos com o marido, o artista plástico Rafael Doria. Hoje o casal tem até um filhote, o simpático dachshund Zé Pequeno. Uhum, Dadinho é o…

Adepta de um estilo de vida leve e livre, a Marina mantém o apartamento em constante transformação. “Não acredito em casa pronta”, ela diz enquanto dá uma arrumadinha/bagunçadinha no cafofo pra seção de fotos. Tudo por lá tem essa cara boa de metamorfose ambulante; e um bocado de história pra contar; sem aquela velha opinião formada sobre tudo, claro.

O baú antigo da família virou mesinha de centro; as cartas escritas pelo pai passaram a decorar a parede do corredor; um cinzeiro de forma de estrela lembra de uma maneira divertida que fumar faz mal, mas vá lá, há quem goste; um punhado de livros mistura culinária, Nietzsche, Fluminense e música brasileira; brincos, pulseiras e outros acessórios se misturam em caixas pela mesinha do quarto; uma bolsa térmica de coração mantém o amor sempre quente pela casa.

Garimpeira nata, a moça vai à caça de seus tesouros em viagens (Machu Picchu, Nova York e Bangcoc foram alguns dos lugares por onde ela já passou), antiquários (os da rua do Lavradio e o shopping da Siqueira Campos foram supercitados), na Saara, em centros de demolição e até em ferros velhos na Avenida Brasil; além de volta e meia topar com algum achado imperdível jogado pela rua. E aí não tem jeito: vai direto pra casa. Foi assim com os caixotes de feira, que viraram estante na cozinha, e com a base decorada que agora enfeita o pequeno oratório da sala, onde ela e o Doria meditam todos os dias, de manhã – para pedir boas energias – e de noite – para agradecer pelo dia.

Com uma família e um cantinho desses, a gente imagina que a meditação noturna leve mais tempo – afinal, é muita coisa pra ser grato.

E a gente espera que tudo continue assim… quer dizer, que mude, sempre; mas pra melhor. Namastê!

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