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Um café e um bom papo no folie à deux

Fotos: Bel Corção
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Texto: RIOetc

[Cari Caldas]

Entre uma mordida de pão de queijo e um gole de café, a Marina Ivo compartilhava conosco a história do folie à deux, bistrô que divide com as sócias Ligia Barreto e a irmã Clarisse Ivo, no Cosme Velho. Cada detalhe do charmoso espaço na Rua Ererê remete à uma lembrança familiar: das receitas caseiras, como o waffle da vovó Lia; à escolha do carro chefe da casa, o Café Terroá, que encantou as sócias durante uma viagem para a Chapada Diamantina.

O diferencial do grãos, servidos nos blends Sol Amarelo, Vento Norte e Terra Vermelha, vem das altas temperatura e altitude da Chapada, além da produção 100% artesanal, que resulta em um café delicado, de acidez cítrica, aromático e sem amargor. Já para a escolha do cardápio, a inspiração surgiu de receitas que aqueciam tanto o estômago quanto o coração: “Até a máquina de waffle é a mesma que a minha avó fazia para a gente no chalé de Teresópolis, é muito família, muito pessoal”, conta Marina.

Além dos combos de café da manhã- a versão completa vem com fruta do dia, ovos mexidos, baguete artesanal, bolo, dois cafés, jarrinha de suco, waffle e pão de queijo- a casa serve almoço e lanches, além de ser uma ótima opção para beber uma cervejinha no fim do dia. Nos dias de semana, o folie fecha às 18h30, mas às vezes estende o horário por uma boa causa, como por exemplo, na quarta, dia 22, rola o encerramento da mostra “Descolagens” de Zema Carvão, em exibição intinerante no espaço, na qual a sócias prepararam uma noite especial de hambúrgueres e bons drinks.

Como se não bastasse a função de bistrô e espaço cultural, a próxima missão do folie é ser o mais sustentável possível. Para evitar o desperdício, as sócias começaram um projeto de reaproveitamento, e, aos poucos, estão descobrindo de que forma podem incluir no cardápio partes de alimentos que antes seriam descartadas. Os talos dos cogumelos já viraram pastinha. Daqui para frente, o objetivo é fazer com que cada vez mais receitas tenham um toque sustentável.

Num ambiente lotado de história- o Cosme Velho fica na descida do Corcovado e já foi casa de escritores como Machado de Assis e Cecília Meireles-, o folie já é um ponto cultural do bairro. “Às vezes eu fico pensando que uma coisa pequena pode transformar uma vizinhança, sabe? A gente abre espaço para editoras pequenas, novos artistas, então eu acho que a gente proporciona essa experiência completa. Se todos os bairros tivessem inciativas assim, a gente poderia revitalizar a cidade”, incentiva Marina.

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