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Que delícia de paisagem

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Pedro Landim/Boca no Mundo]

Daqui do morro dá pra ver tão legal o que acontece aí no seu litoral. São quadrantes da Maravilhosa, a cidade em 360º a partir de biroscas de onde se decola sobre o verde coberto de barracos na geografia improvável das favelas. Novos cartões postais de um Rio que precisa se olhar no espelho — das águas. O transatlântico Vidigal e o mar de Ipanema. A Babilônia de Copacabana. A Baía nos Prazeres. E o porto no Morro do Pinto.

No Bar do Alto, que faz do imenso Windsor Hotel (ex-Méridien) uma peça de Lego encaixada na paisagem, vejam o que aprontou Rubens Zerbinato, o chef, com dois ícones da alimentação carioca. No açaí, meteu espumante. Virou drinque. E a feijoada completa, quem diria, acabou no harumaki (foto 2 na imagem acima). O rolinho primavera agora abraça qualquer estação na laje. São ambos imperdíveis, a quem possa interessar. O risoto de bobó (6) é outra especialidade.

Isso tudo nasce na Babilônia, o lado B do Chapéu Mangueira. Peça o Caipichope (8) ou ainda o Chope do Alto, feito com suco de tangerina, Absolut, espuma de mel e gengibre, e viaje. De lá se avista as ilhas Rasa e Cagarras, o mar costurado no céu e até a ponta da Pedra da Gávea se insinuando por trás de outras pedras.

Para a visão do cais entre folhas de bananeira, a ponte cortando a baía e lá no fundo a Serra dos Órgãos, recomenda-se o Bar do Omar. No Morro do Pinto, nosso amigo decidiu criar o primeiro botequim com hamburgueria, e andou servindo o sanduíche até com molho de goiabada sobre o queijo.

Pelo sim, pelo não, peça o maracujá da casa. É batida esperta que abre caminho para a carne de sol com aipim (7). Não contem para ninguém, mas é ele que planta a raiz perto de casa. Soube que a safra está acabando e se você for agora lá periga ainda aproveitar a divindade que nasceu no morro. Não vem frita, mas cozida com manteiga de garrafa. Cervejas artesanais brasileiras deixam tudo mais colorido.

Falando em Prazeres (1), quem tem tino para a botecagem sem fronteiras deve provar o Bar do Tino, onde a procura já diz tudo: é seguindo o maneiríssimo Caminho do Graffiti pintado na favela de Santa Teresa que se alcança a birosca (4). Batman, Hulk, Mulher Maravilha e outros heróis em versões brasileiras surgem na escada para indicar a direção (5).

A varanda aconchegante (4) tem calor humano e de churrasqueiras onde o frango assado e a costela de porco dão as cartas. Também tem queijo coalho (3) para espetar no palito, e a batida de limão e gengibre conduz ao terraço onde o pessoal brinca de Deus. A cidade escorre por todos os lados em recortes de luz e sombra, pães de açúcar e corcovados.

A coleção de montanhas ganha Dois Irmãos quando o Vidigal se aproxima, comunidade que flutua. Subindo a Presidente João Goulart (sim, ele vive ali), artéria principal, o Bar Lacubaco oferece o sobe e desce da vida na favela, com o oceano entre mil barracos e uma senhora rabada no prato. Ou frango com quiabo. Comida caseira e braços abertos para o que vem do asfalto. Pergunte para o boa praça Fábio qual é a boa do dia. Abra a garrafa e deixe o olhar se perder.

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