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La Joelheria – vida longa ao rei dos salgados cariocas

Fotos: La Joelharia
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Texto: Gabriel Boliclifer

O Brasil é uma coisa linda, né? É tão interessante que uma mesma comida possa ter tantos nomes dependendo da região do país. A Manihot esculenta, por exemplo, chama-se de aipim no Rio, de mandioca no sul, de macaxeira no norte e nordeste. E nessa onda ainda tem o pão francês, a tangerina, o sacolé. Mas tem um em especial que nós cariocas fazemos questão de corrigir, até porque nossos vizinhos niteroienses cismam em falar que é Italiano o nome certo — ora, mas que audácia.
“Bauru”, “Americano”, “Italiano”, “Brioche, “Enroladinho”, “Diplomata”, “Esse Trem Aí”, “Mexicano”, “Bocão”… Qualquer carioca que se preze já sabe do que se trata. Sim, hoje a gente vai falar dele, do grande, do emblemático, do controverso, do campeão de vendas de qualquer lanchonete/padaria/barzinho dessa nossa vasta cidade maravilhosa, O JOELHO (aplausos).

Eu te desafio a achar um carioca que não tenha comido um joelho na vida. Faz parte da gente, tá no nosso sangue, é e sempre foi parte da nossa cota diária de cálcio, carboidratos e proteínas. Da cantina do colégio ao bar em frente à faculdade; da padaria do bairro à lanchonete no fim do expediente, o joelho nos acompanha e nos alimenta. E talvez esse seja um dos maiores motivos de seu sucesso: ele alimenta mesmo, é quase um almoço. A simplicidade de uma massa recheada de queijo e presunto, quase que como uma releitura de um misto quente, que acompanhada de um mate da casa ou um refresco gelado conquista um país inteiro, é realmente admirável. Mas por que “joelho”?

Pesquisando por aí, encontrei várias histórias sobre a origem do nome que Niterói insiste em renegar. Uma delas diz que é porque o salgado realmente se parece com a patela do joelho de uma pessoa, outra envolve até a revolução francesa e lavagem cerebral (eu não confiaria, foi um terraplanista que me contou). Nenhuma delas tem comprovação histórica, mas eu escolhi acreditar em uma que me fez sorrir e pensar “só um carioca pra ter uma sacada dessas”. A história envolve uma suposta casa de lanches ou padaria de procedência duvidosa frequentada por personalidades da época, poetas e boêmios do centro da cidade — quando a região vivia seus anos de glória. Ao que tudo indica, o salgado tinha outro nome até que o poeta Emílio de Menezes, muito perspicazmente, o rebatizou de joelho, por se encontrar abaixo das coxinhas na vitrine. Em uma pequena pesquisa sobre Emílio, leio que “era um boêmio desregrado”. E ainda bem que era, as melhores pessoas são boêmias e esse detalhe deixa a história muito mais colorida. Eu só consigo imaginar este belo senhor voltando de uma noite de esbórnia, feliz da vida, claramente alcoolizado e procurando a larica do final do rolé. Eis que para em uma padaria pra comer alguma coisa e voilá, está criado o patrimônio cultural carioca, o joelho.

Quando eu digo que tem joelho em qualquer lugar, não é exagero, tem mesmo. Um conhecido meu jura que viu um joelho numa barraquinha de salgadinhos do Camboja (mas é o mesmo terraplanista, então eu recomendaria uma checagem de fatos). De um jeito ou de outro, tem joelho. Pode ser que o nome mude, mas tem. Agora, se o joelho é tão amado e vende tanto assim, como que ainda não tem uma loja só de joelho? Aí é que tá, tem! La Joelheria é a primeira casa especializada em joelhos do Brasil. Desde 2019 oferece mais de 20 sabores diferentes de joelho — sempre recheadíssimos e com foco na qualidade —, dos mais tradicionais até os mais sofisticados, além das opções doces e veganas! Pelos aplicativos — iFood, UberEats e Rappi — o joelho chega quentinho em casa, pronto pra ser devorado. Dá pra pedir pelo aplicativo próprio da Joelheria também e agora tem até mini joelhinhos congelados. Até agora meus campeões são os de queijo brie com pastrami e cebola caramelizada com gorgonzola. Mas se você, meu amigo leitor, preferir o clássico de presunto e queijo, tudo certo! Sem caô! Só não pode chamar de Italiano!

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