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Pensados e prensados com carinho

Fotos: Bel Corção
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Texto: RIOetc

[Cari Caldas]

Transpor a filosofia da alimentação “natural, e não natureba” para o trabalho é o maior desafio da capixaba Luciana Teubner. À frente da Amì Sucos, a empresária distribui pelo Rio as receitas que costumava fazer em casa, para a família. Hoje, com uma produção que cresce exponencialmente, os sabores aprovados pelo teste de qualidade dos filhos da Lu podem ser encontrados nas prateleiras do Zona Sul, Delírio Tropical, ou na geladeira da sua casa.

Antes de entrar para o mundo do empreendedorismo, a Luciana trabalhava com importação de vinhos até que uma despretensiosa viagem em 2014 fez com que ela mudasse de destino: “Eu fui sozinha e vi um monte de garrafinha de suco prensado. Me achava tão entendida de alimentação e nunca tinha ouvido falar. Quando cheguei aqui, falei para o meu marido que ia fazer e ele respondeu: ‘Vai vender suco engarrafado no Rio, que é cheio de casa de suco? Não vai dar certo'”.

Apesar dos argumentos experientes do marido, o chef Pedro Siqueira do Puro Restaurante, a empresária insistiu na ideia, comprou sua primeira prensa- que guarda até hoje na fábrica em São Cristóvão-, e começou a fazer os testes na centrífuga de casa. “Apesar da gente fazer o mesmo produto, não somos concorrentes das casas de suco, porque o congelado permite uma programação melhor, e ainda economiza o seu tempo de ir no hortifrúti, escolher as frutas e produzir o suco. Quando você tem essa programação, você tem sempre suco fresco e isso ajuda em uma rotina mais equilibrada”, conta Luciana.

O nome Amì (permanecer de pé- em língua indígena), veio em homenagem aos ingredientes naturais brasileiros usados nas receitas. Já os primeiros clientes apareceram quando a marca começou a participar da Junta Local, feira de pequenos produtores de comida no Humaitá, ainda em 2014. A linha de produção na cozinha de casa- que contava apenas com uma funcionária e um ajudante-, rendeu à ela uma lesão no braço esquerdo de tanto cortar frutas como maçã, pepino, beterraba, de cascas muito duras. “Se eu não estivesse fazendo suco, eu estava com o braço dobrado, confundia a dinâmica da casa, aí decidi que ia parar. Fiquei quase um ano sem produzir, nada, e me prometi que se eu fosse voltar, teria que ser do jeito certo: com fábrica, registro” explica a capixaba.

O retorno da Amì aconteceu quando o empresário João Resende, amigo e cliente da Luciana há anos, saiu da multinacional em que trabalhava, sentou com a nova sócia e montou um business plan, tudo isso em menos de uma semana. No dia 31 de dezembro de 2016, pegaram a chave da nova fábrica em São Cristóvão e começaram a trabalhar. A produção agora funciona assim: as frutas chegam dos hortifrútis locais, passam por uma pré-triagem e depois vão para um tanque de ozônio- tecnologia limpa de higienização que não deixa resíduos no ambiente. A próxima etapa é separar os ingredientes para as receitas, colocar na prensa, engarrafar e congelar. Do túnel de congelamento as garrafinhas passam para uma câmara fria, onde podem permanecer congeladas por até 90 dias.

O resultado são os cinco sabores Betta, Màtta, Akká, Terra e Galla (a “estrelinha” do time, com maçã, limão siciliano, gengibre e pimenta caiena), além da linha especial desenvolvida para o Delírio. Quem quiser provar as receitas em casa, pode pedir através deste link, que os pedidos feitos até 11h são entregues no mesmo dia :) A gente provou os sucos no evento de lançamento da Es Lo Que Hay, na loja do RIOetc, e só podemos deixar nosso selo de aprovação, quase tão rígido quanto o dos filhos da Luciana.

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