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Acabou o caô, o Braseiro voltou

Fotos:
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Texto: RIOetc

braseiro

[Tiago Petrik]

Parecia obra de igreja, como para justificar a fama de templo boêmio. Mas enfim, depois de sete meses de reformas e sucessivos adiamentos, ontem o Braseiro da Gávea reabriu as portas. Plena segunda-feira e, justificadamente, gente saindo pelo ladrão: todos queriam ver como ficou. Medo de que a mudança provocasse uma indesejável gourmetização do velho e bom Braseiro.

O bar leva este nome desde 1995, quando começou a fazer frente ao vizinho Hipódromo – que incrivelmente virou o primo pobre da esquina da Rua dos Oitis com Praça Santos Dumont. Antes disso, o Baixo Gávea tinha como outra âncora o Sagres (de triste lembrança), hoje Garota da Gávea. A lanchonete Dias Santos era um típico bunda de fora, um reles balcão que vendia cerveja em garrafa e outros líquidos. E só. Com a abertura do salão e a posterior “conquista” da calçada – que originou a deliciosa varanda –, veio a fama da picanha, da linguiça e do galeto assados.

Estava morrendo de saudades e com medo da total descaracterização – obra que dura tanto traz receio em dobro. Não que o Braseiro fosse bonito. Até longe disso. Mas quando a memória é afetada pelo álcool, ainda assim nos sobra a memória afetiva. Vivi muitas histórias naquelas mesas. Conheço quase todos os garçons pelo nome, e vice-versa. É sem dúvidas o bar que mais frequentei na vida.

E posso dizer, aliviado, que quase nada mudou. Do ponto de vista espacial, a transformação foi até positiva. Continua lindamente tosco, agora com uma linha de azulejos decorados sobre uma base patinada, e tinta a óleo em cima. O teto ganhou uns ventiladores com mais design, precedidos de uma madeira. As paredes sentem falta daqueles recortes de jornal com notícias sobre a casa – ficou tudo muito limpo. Por falar nisso, a melhor das notícias é que os banheiros também foram repaginados. Perguntei a algumas meninas e elas disseram que enfim dividiram o espaço de forma correta.

Do lado de fora, artes de Toz e BR, protegidas por vidros, enfeitam as paredes. E o logotipo foi ligeiramente redesenhado. Mas o anterior, que tem um espeto com uma linguiça, um pedaço de frango e outra coisa que suponho ser uma picanha, também continua a coexistir.

E por falar na comida, bati o mesmo pratão de sempre: linguiça com molho à campanha pra começar. Depois, Picanha ao Braseiro, prato dividido com dois amigos. O chope não é nem nunca foi o melhor do mundo, nem mesmo o melhor do Rio. Mas desceu que foi uma beleza.  A farofa continua maravilhosa, o arroz de brócolis é o mesmo. A batata frita estava um pouco crua. A picanha “ao ponto” veio encharcada de sangue, como deve ser. Mas achamos que mudaram o fornecedor da carne, o que terá sido uma lástima. Preciso voltar novamente para investigar melhor e dar uma opinião definitiva…

PS: Não levei a câmera porque esta é uma coluna Gostosa, e não Indoor. As fotos são do celular e não vão saciar ninguém, certamente. Vale o confere pessoal.

 

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