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A volta ao mundo em 80 bares

Fotos:
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Texto: RIOetc

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[Tiago Petrik] Texto e foto

Há anos acompanho as aventuras botequeiras de Juarez Becoza em sua coluna “Pé Sujo”, na revista Rio Show. E sei do cuidado que ele sempre teve em resguardar a própria identidade, para evitar bajuladores. Por isso, quando marcamos no Shelter, na Rua Farani, ele foi logo avisando: “Você vai me reconhecer rápido. Sou velho, careca e barrigudo”. Realmente era o único com essa descrição, e já estava cercado de tulipas gigantes. Emoção pura encontrar o ídolo, que realizará um antigo sonho: a volta ao mundo em 80 bares.

Juarez fará a viagem a bordo de ônibus, trens e navios. Por cagaço de avião, não será visto em aeroportos. “A ideia é que a viagem também sirva para mostrar a outros medrosos que é possível viajar até qualquer destino sem voar”, conta. No roteiro, 40 países em oito meses de deslocamentos – e, claro muito mais que 80 bares. “Mas pretendo escrever um livro com uma seleção de 80”, explica. Quem tem sede de conhecimento já pode garantir seu exemplar, contribuindo com a campanha que Juarez lançou para arrecadar fundos. Como em qualquer crowdfunding, uma série de recompensas aguarda o leitor/pinguço/amigo. Por exemplo: com US$ 100 se garante vaga no Bonde do Becoza, tradicional passeio de van por bares suburbanos, com comida e bebida liberados, tendo o colunista como cicerone. Outra possibilidade de encontrar o tímido jornalista é em sua despedida oficial, dia 13, no Galeto Sat’s.

Se é que a amnésia alcoólica não lhe atinge, Juarez contabiliza 1.500 botequins visitados e cerca de 900 resenhas publicadas em 15 anos de serviços. Além do jornalão carioca, o colunista também colabora com o Culinary Backstreets, site especializado em comida de rua. “Embora tenha algumas dicas de lugares pra conhecer, vou seguir o mesmo método que utilizo tradicionalmente, deixando o destino me levar”, diz. “É uma viagem etílico-antropológica, porque vou falar também sobre a relação das culturas com os bares. Por exemplo, Londres e os pubs, a tradição mexicana de comer gafanhotos como petisco ou, ainda, o hábito marroquino de se frequentar bares mesmo que lá seja proibido o consumo de álcool”. Aguando desde já por cada capítulo.

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