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A primeira noite de um hambúrguer

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Tiago Petrik]

Minha timeline foi inundada por posts de gente inconsolável, descrente do futuro. Ninguém falava mais de coxinhas ou petralhas, da arbitragem do último jogo, nem sequer compartilhava algum meme ridículo. Só se falava do triste fim do Rashomon , da aposentadoria compulsória do Tiger Shot. Sim, meus caros, a Comuna tirou do cardápio duas pérolas hamburgais. O #mimimi era justificado. Uma amiga disse que ligou para tirar satisfações, vi outro cara comentando que entraria na Justiça.

O dever jornalístico me chamou. Às 18h desta terça, dia de estréia do X-Wilson e do Boludo, quando as cadeiras ainda estavam sobre as mesas, naquela cena típica de western, cheguei à casa e anunciei, como se sacasse o revólver: “Quero ser o primeiro”.

Bruno Negrão, um dos sócios da casa, foi quem me recebeu. E fiz uma pergunta que, modéstia à parte, já considero antológica:

– E aí, não rolou um cagaço?

Como se estivesse preparado para pergunta de tal envergadura, ele foi calmo ao responder:

– De leve. Tem um quê emocional muito forte da galera. Mas eram hambúrgueres que já estavam há três anos no cardápio, e a gente tá aqui pra experimentar. Queremos contestar esse gosto imutável do carioca. A verdade é que a gente sabia que ia dar uma balbúrdia. Mas não queremos ter medo. O pessoal aqui da cozinha aprovou, então a gente tá seguro.

Perguntei quais eram exatamente as mudanças. Segundo o Bruno, o mais fundamental é que sai o patinho e entra o cupim. O antigo “blend” (termo dele), que era acém + patinho + páprica picante + cominho + cebola caramelizada no shoyu, agora é cupim + acém + sal + pimenta. Sim, o recheio ficou mais basicão.

Nessa hora recorro ao Pedro Landim, titular da coluna Gostosa – no momento mais preocupado com receita da mamadeira do filho pequeno -, via Whatasapp:

– Trocaram acém + patinho por cupim + acém.

– Sinistro… Alto volume de sabor/gordura. Cupim não é nada comum, de repente é o primeiro. Comuna mantendo a vanguarda hamburgueira.

Depois do aval virtual do especialista, fiquei ainda mais simpático à mudança – até porque o Trash Humper e o Porcola, as duas indicações dele na nossa lista de 10 melhores hambúrgueres do Rio, continuam no cardápio, assim como o igualmente tradicional Pala.

Enfim, veio o X-Wilson (assim batizado em homenagem ao segurança da Comuna, que ainda não havia chegado quando fui embora, e por isso ficamos devendo a foto). O tal new blend de carnes + os quatro molhos que o cliente pode escolher (como não dava pra comer quatro hambúrgueres, pedi todos eles: maionese de wasabi, maionese da casa, sweet chilli e ketchup da casa; na minha opinião, o chilli e o de wasabi valem mais). Minha cunhada, Ana Paula Rocha, foi a cobaia do Boludo, a segunda novidade (que vem com o clássico chimichurri argentino, e, como o Wilson, com queijo Gouda, salada de alface, broto de feijão e rúcula, além de maionese de sriracha – o molho de pimenta tailandês – e onion rings entre a carne e o pão).

Como se eu tivesse pedido, o X-Wilson veio na medida da minha fome (são 160g de carne) e no ponto certo – quase mal-passado. O da Ana veio mais bem-passado, e por sorte também mais ao gosto dela. Para uma ex-vegetariana, tá ótimo. “É a coisa mais junkie que comi nos últimos dez anos”, disse como um elogio. Citou ainda que o anel de cebola dá uma crocância bacana e a pimenta é “excelente”.

Então, meus queridos, é isso. Não precisam morrer pelo fim dos ex-hambúrgueres já saudosos. Até porque, segundo disse o Bruno, “a qualquer momento eles podem voltar, quem sabe em algum evento fora”. Play na setinha pra conferir, pela ordem: o Wilson embalado, depois pronto pro abate (sempre com os quatro molhos possíveis) e o Boludo.

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Fotos: Tiago Petrik

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