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Frugurativos, por Rafael Doria

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: RIOetc

Quem se lembra da época em que a coluna Galeria Urbana era comandada por Rafael Doria? Hoje, não pela primeira vez, é o artista plástico quem vira nossa pauta. Na próxima terça, 16 de abril, ele inaugura a exposição “Frugurativos”, na qual representa a figura humana de forma “simples” e desconstruída, no Dumont Arte Bar, na Gávea. No mesmo lugar, o artista participa todas as quartas-feiras do Forró da Gávea, onde ao invés de tocar instrumentos, é responsável pela parte visual do show, com desenhos de tape art (a famosa fita crepe) ao vivo.

Entre a montagem- a gente já viu um spoiler e aprovou demais!-, ele separou um tempo para nos contar sobre a exposição, e como aconteceu toda a mistura entre música, arte e fita crepe:

1) Como você descobriu que podia fazer arte com um material não convencional como fita crepe?

O Pedrinho (Miranda) estudou Design comigo, aí um dia ele postou que tinha feito uma arte com fita crepe escrito “Forró da Gávea”, e eu comentei que podia ficar melhor. Ele me perguntou: “então porque você não vem fazer?”, e eu fui mesmo, numa quarta-feira. Nesse mesmo dia ele perguntou se eu não queria ser da banda, da parte visual. Agora toda quarta-feira ao invés de tocar, eu faço os desenhos com a fita crepe ao vivo, sempre relacionando com alguma coisa da semana, algum fato relevante que eu possa trazer pro universo do forró. Sempre tento passar uma mensagem. 

2) Que outros materiais você costuma usar e por que a escolha deles?

Eu não tenho muita limitação de material, sou uma pessoa que gosta de experimentar com bastante coisa, com técnica. Essa exposição eu fiz toda em recortes de madeira, metal, mas já penso em cortar outros materiais menos nobres, para baratear a execução. Tem peça aqui feita de madeira de obra, por exemplo. A ideia é que eu consiga reproduzir meus desenhos em materiais baratos e que tenha saída, que a arte seja acessível para as pessoas. 

3) Como você aproximou a sua arte com a música? Por que essa conexão é importante para você?

Meu trabalho começou na época da faculdade já acompanhando pessoas de música, criando cenário de shows e capas de CD. No final dos anos 90 a gente começou a ver bandas de amigos aparecendo e alguma se destacaram. Trabalhei para o Farofa Carioca, Seu Jorge. Eu acho que a essência criativa de quem faz música e artes plásticas é a mesma. A essência primordial, do nada sair uma melodia ou do nada sair um quadro, é a mesma, eu talvez pudesse ter sido músico se eu tivesse estudado, mas minha paixão era pelas artes, então eu acho que tem essa conexão.

4) Para a exposição “Frugurativos”, por que você escolheu representar a figura humana?

A figura humana é a coisa que eu tenho mais facilidade de desenhar, então, como eu queria desconstruir, eu escolhi o que eu sabia fazer melhor de construção. É um universo que eu tenho mais intimidade.

5) Como é seu processo de produção? Do rascunho à peça pronta?

Eu começo rabiscando no papel, sempre no papel. Para esse trabalho, os desenhos têm o mínimo de informação pra ficar o mais sintético possível, então é um processo de desenho sobre desenho, no qual eu vou limpando até eu ter uma síntese, chegar no resultado que eu quero e depois eu passo para o computador, vetorizo, e daí posso construir de várias formas.  

6) Que sensações você espera causar com a exposição  “Frugurativos”?

Eu penso muito nessa coisa de um primeiro olhar “simples”, mas em um segundo momento você volta para a arte para se questionar se você está vendo aquilo mesmo, então é um processo de sedução, e o olhar fica sendo chamado para entender o que está na peça.

“Frugurativos” chega amanhã ao Dumont Arte Bar, às 19h, com Dj Bruno Eppinghaus e entrada franca. Todo mundo pode chegar!

 

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