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RIOetc entrevista Isabela Carvalho, da Casinha

Fotos: Wendy Andrade
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Texto: RIOetc

Isabela Carvalho é produtora cultural e uma das fundadoras do projeto Casinha. Criado no ano passado por um grupo de cinco lésbicas e bissexuais, a Casinha pretende ser exatamente o que o nome diz: uma casa. Oferecer moradia para jovens LGBT que se encontram em situação de vulnerabilidade social. Inspirados na Casa 1, de São Paulo, esses cinco jovens – a Isabela tem somente 21 anos – iniciaram todo um processo pra desenvolver esse mega projeto. No ano passado, ela participou do Cadeira da Cidade, da Perestroika, que concede bolsas integrais em seus cursos pra pessoas envolvidas em programas de impacto social aqui no Rio. Conversamos com a Isabela pra entender melhor sobre a Casinha e como o curso está ajudando a tirar essa ideia gigante do papel.

Como surgiu a Casinha?

A Casinha surgiu porque, em março do ano passado, a Natália Pasetti viu a notícia que a Chechênia estava criando campos de concentração pra homens gays e ela ficou surtada. Ela decidiu que tinha que lutar contra isso! Chegou a tentar comprar passagem pra lá. A Lorena, melhor amiga dela, conversou com ela e disse que ela não faria aquilo, que ela não conseguiria mudar o mundo assim, não agora pelo menos, mas que elas poderiam tentar fazer algo mais local, que não adiantava querer fazer lá quando ainda tem gente morrendo aqui do lado. Decidiram, então, fazer como a Casa 1, que surgiu em 2016 em São Paulo, e é uma casa de acolhimento pra jovens LGBT em situação de vulnerabilidade social. Eu, a Natália, a Lorena Miguel, o Lucas Melo e a Natália Médici nos juntamos e percebemos que era algo possível de se fazer e que poderia ajudar muita gente. Já vimos muitas amigas nossas tendo problema em casa por terem se assumido e é desesperador ver amigas sendo expulsas, tentando se matar. Então criamos o projeto, saímos anunciando e a ideia é essa: uma casa de apoio para jovens LGBT que foram expulsos de casa, que estão apanhando, além de um Centro Cultural. Eu trabalho com Produção Cultural e pra mim é uma parte muito importante, pois é o que cria a cidadania, a consciência na população e traz representatividade pra população LGBT. Mas é um projeto muito grande. É preciso pagar aluguel, sustentar a casa, tem gente que chega na Casa 1, por exemplo, sem identidade. Mulheres trans que foram expulsas de casa e não têm nada. O custo é muito grande. Estamos analisando isso e tendo contato direto com a Casa 1. Criamos um plano de trabalho que era lançar um financiamento coletivo no final de 2017, só que não queríamos fazer de qualquer jeito porque a gente quer que ele continue. Decidimos adiar por um tempo, mas o que fizemos pra já iniciar foi a realização de diferentes atividades, como um brechó, em agosto, uma festa, em setembro, e temos planos de fazer um festival de música. E a ideia é chamar atenção pro projeto e que a galera se reconheça em um espaço seguro.

Mesmo sem um espaço físico vocês já tem canais de comunicação na internet. Como vocês atendem essas pessoas?

Já tem gente procurando e tentamos ir ajudando através de uma rede de contatos, mesmo ainda não tendo a casa em si. E vamos direcionando as pessoas pra outros lugares, como hospitais, abrigos, advogados que vão ajudar na parte jurídica etc.

Quais as maiores demandas desses grupos em situação de vulnerabilidade?

O que mais procuram a gente é por moradia, auxílio psicológico e auxílio jurídico, além de outras demandas. E nós vamos encaminhando pras áreas que nós temos. Separamos o projeto em sete grupos de trabalho: Saúde, Jurídico, Institucional, Educacional, Voluntários, Pesquisa e Análise, Comunicação e Cultural.

E como você chegou até o curso da Perestroika?

Através da minha irmã fiquei sabendo do Cadeira da Cidade. E como eles acreditaram na Casinha, entenderam o impacto social do projeto, a gente ganhou a bolsa. Então eu fiz o curso Chave Mestra, de gestão de projetos, que ajudou muito a tocar e organizar o projeto. Nós somos cinco, mas temos uma rede de voluntários muito grande. Não sabíamos demandar tarefas, por exemplo.  Eu fiz o curso e achei incrível a carga de falas, os professores têm uma trajetória muito boa em gestão e conseguiram passar isso pra turma. A dinâmica de se relacionar com as pessoas e conhecer cada um que tá ali também é essencial. O professor Fabio Amado, por exemplo, conseguia fazer com que todos entendessem que a própria aula já era um projeto, as dinâmicas e simulações. Já recomendei pra muita gente! A Cadeira da Cidade deu essa oportunidade de entender como um projeto funciona, porque temos 21 anos, não tinha essa vivência e experiência na gestão de uma empresa.

Cadeira da Cidade está com novas inscrições, até o dia 16/02. Se você tem um projeto e acredita na força e impacto social dele pro Rio, se inscreve! E pra quem, assim como a Perestroika, acredita na Casinha, pode se tornar um voluntário aqui e ajudar a fazer esse projeto acontecer. Vamos juntos!

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