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RIOetc entrevista Growp

Fotos:
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Texto: RIOetc

Fotos: Derek Mangabeira

[Fernanda Cintra]

Rua Sorocaba, 585 – Comuna. Segunda-feira, segundo andar. Por aqui, boas ideias ou perguntas pertinentes valem uma birita, já sinaliza o papelão junto à parede. Lugar tem pra todo mundo, seja lá na frente, acompanhado de um telão, ou sentadinho nos pallets disponíveis. Pra comer, hareburger. Pra tomar, cervejinha. Não, não é uma reunião maçônica nem nada, embora seja até um pouco clube do Bolinha. Mas é por um bom motivo. Um bom motivo chamado Growp.

Growp é encontro, e significa literalmente “crescer em grupo” (um híbrido de grow, crescer; e group, grupo), isto é, interdependência criativa. Seus próprios criadores, Guilherme Ribeiro, Ivo Nunes e Rafael Muniz, todos designers – Ivo, especificamente de moda – na casa dos vinte poucos anos, gostam de chamar atenção para a palavra interdependência, que salienta o seguinte: um único indivíduo é capaz de gerar impactos das mais variadas naturezas sobre o todo, bem como, de um jeito ou de outro, ele é afetado pelo todo também. Pera aí, deixa eu explicar melhor. Se você é jovem, criativo, sonha com seu próprio negócio, mas sofre pra caramba só de pensar na grana e no suor que vai gastar para expor suas ideias por aí, respira, você não é o único. E já que o Rio tá cheio de gente assim, apaixonada pelo próprio fazer e talentosa todavida, por que não juntar esse povo todo? Essa é a pergunta pertinente que os meninos passaram a se fazer desde que ganharam intimidade uns com os outros, enquanto cursavam o famoso “Vai lá e faz” da Perestroika. E a idéia boa valendo uma cerva você já sabe qual é.

Para selecionar os envolvidos com o projeto – ou growpistas, se preferirem – o método foi puramente intuitivo. Os meninos, naturalmente chegados em skate, surf, arte urbana, e outros tantos assuntos essencialmente masculinos – que diga-se de passagem, as meninas têm se apropriado pelas beiradas – já admiravam o trabalho de tanta gente que bastou um “chega mais” sem muito mimimi. O próprio Ivo há tempos comandava uma marca  braba no tão estimado cenário independente, a Bubas, o que agregava ainda mais ao camarote, ops, vivência dos meninos. A diversidade em áreas de atuação é também um dos aspectos mais bacanas nisso tudo; aqui se produz desde fotografia analógica a shape de skate, passando por ilustração, artes plásticas, mobiliário de papelão, óculos de madeira descartada, paralama de bicicleta, vídeos alucinantes, grafite e o infinito. E que mané concorrência. Por aqui, todos juntos somos fortes, tá?

Para por o projeto em prática, Guilherme, Ivo e Rafael vislumbram três etapas. A primeira, prestes a ser lançada – instagram e facebook já estão no ar! – é um site-vitrine, onde ficará hospedado todo o conteúdo bruto sobre o trabalho individual de cada criativo independente, facilitando seu acesso e contato para possíveis jobs e parcerias. É aí que também entram os tais encontros, onde cada growpista pode apresentar sua produção aos demais, criar um networking inteligente e propor diferentes níveis de troca. Se uma marca especialista em camisetas quer lançar um boné, por que bater cabeça até descobrir seu método de fabricação, se logo ao lado há um expert no assunto e vice-versa? É, meu amor, isso é interdependência, e ainda por cima, criativa.

A troca continua na forma de eventos e workshops. Exposições, feiras, e o que mais pintar capaz de aproximar público e growpistas, já está previsto na primeira modalidade. Na segunda, os meninos pretendem chamar uma galera mais casca-grossa pra colaborar com aulas e oficinas que acrescentem no fazer de todo mundo. Logo mais, a ideia é lançar um e-commerce esperto onde produtos e serviços sejam oferecidos. Assim, nada mais natural que o próximo passo seja idealizar um espaço de coworking extremamente interativo, onde produzir peças-piloto seja possível, e a interdependência ainda maior. Como lançar essa galera toda de uma vez só nos parecia o maior pecado, ficou combinado que hoje você conhece quem pensou nisso tudo aí, e em próximas oportunidades, quem já está participando. Alguns deles você conhece bem: o Alexandre Baltazar, por exemplo, já foi nosso “Muito Prazer“, e a Talitha Rossi vive por aqui.

No fim das contas é isso aí: “A Growp tá aberta. Queremos adicionar sempre. Mais parcerias. Mais criatividade. Mais projetos. Mais participantes. Mais opiniões. Mais perguntas. Mais críticas. Mais loucuras. Menos separado. Mais junto”, entendeu? Por isso clica aqui, assina embaixo e fica de olho: parece que vem vindo coisa muito boa por aí, tipo da coisa que deve e merece ser mostrada.

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