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RIOetc entrevista Flávia Oliveira

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: Tiago Petrik

Formada em Comunicação pela UFF, Flávia Oliveira, colunista do jornal O Globo, da rádio CBN e da Globonews, é uma das poucas mulheres negras em cargo de opinião. E por isso, nossa entrevistada da série #sobreserpreto.

Como você virou jornalista?

Virei jornalista a partir do meu curso de Ensino Médio, que era um segundo grau profissionalizante. Entrei para o Ence – Escola Nacional de Ciências Estatísticas, e fui estudar ali no Bairro de Fátima. Era um núcleo mais de classe média, praticamente não tinha negros. Antes eu estudei em duas escolas municipais em Irajá, com uma população predominantemente negra. Mas mais do que uma classe média branca, a do Ence era uma classe média filha de pais que já tinham curso superior, o que não era o caso dos meus pais. Minha mãe tinha cinco anos de escolaridade, mas era muito frustrada por isso, porque era uma mulher muito inteligente, que escrevia muito bem e lia bastante. Foi na Ence que o vírus da faculdade me picou, porque ainda era raro. Se eu fizer um exercício de me lembrar dos meus amigos de infância, os que fizeram faculdade foram eu e, tardiamente, uma minha irmã de alma, que já fez aos 40 anos. O normal era no máximo terminar o ensino médio, porque já havia uma pressão muito grande para entrar no mercado de trabalho. Então tenho esse diploma de curso técnico, e dali já saí com a convicção de fazer faculdade. O Jornalismo foi por acaso, embora já tivesse uma vocação latente. Eu falava pra caramba, escrevia, colecionava recortes, lia jornal e tinha um aparelho 3 em 1 [toca-discos, rádio e gravador] que comprei, muito primitivo, e tinha um microfone. Eu gravava uns debates que fazia, tipo Sem Censura, com meus amigos. Era a agenda dos anos 80: “Você acha que a mulher tem que se casar virgem?”, “Você seria amigo de alguém que fuma maconha?”, lembro muito dessas rodas de conversa que eu ancorava com os meninos.

Nessa agenda de debates o racismo aparecia?

Não. Isso, de um modo geral, era tabu. Era uma coisa assim: não vamos falar disso e vamos apostar no embranquecimento. Minha avó era extremamente racista e minha mãe herdou isso. Desde pequena eu sofria todas essas torturas relativas a alisar o cabelo. Fiz isso até a adolescência, sem opção de escolha. Depois, por vontade própria, fazia relaxamento. Não era um alisamento de escovar, mas eu relaxei até uns dois anos atrás, quando minha filha disse: “você nem sabe mais como é seu cabelo”. Mas pelas mãos da minha mãe eu passei por todo tipo de experiência: henê, pasta, alisamento, chapinha, pente quente, prender – que você vira quase uma japonesa pra esticar o cabelo. Então tinha muito, deliberadamente, uma anulação da identidade negra. Em casa não se tocava nesse assunto, e de alguma forma minha mãe materializou essa ideologia que era vigente no Brasil, ao se casar com um homem de pele mais clara e gerar uma filha de pele mais clara que ela. Minha avó dizia pra minha mãe: “você tem barriga limpa, tem útero que gera filhos mais claros”. E era uma família negra, minha avó, meu avô. Minha avó dizia: “na minha casa não entra ninguém mais preto que os meus filhos”. Então o limite da negritude era aquela cartela de cores domésticas. Os genros que ela teve que eram mais escuros que as minhas tias ela sempre repeliu. Minha criação foi muito ancorada em disfarçar a negritude.

De alguma forma você não vê essa atitude da sua avó como uma medida protecionista?

Vejo. Eu entendo, de alguma forma, como um ato de amor e resistência, mas resistência a partir da adesão a um sistema que pune. Quanto mais preto você é, pior. É até por amor e por compromisso com a perpetuação daquela família você querer embranquecê-la, você ter a noção de que vai sofrer menos, o que é verdadeiro. Neste momento até a gente tem uma discussão muito forte, que dentro do movimento se chama de colorismo, que é sobre privilégios que negros com pele mais clara, ou com traços mais “finos” têm em relação aos negros retintos e de traços mais carregados.

O próprio Neymar não se considera negro, né?

Nem o Ronaldo Fenômeno. Muitos dos jogadores se descobrem negros ao sair do Brasil.

Tem um personagem do livro “O Negro no futebol brasileiro” que diz: “quando eu era preto”, referindo-se ao momento, antes da fama, em que estava abaixo na escala social.

É engraçado isso, essa também é uma inflexão que vem sendo mudada ao longo do tempo. Havia uma percepção de que a mobilidade social embranquecia os negros. E acho que isso foi verdade durante um bom tempo, até pela escala reduzida, era muito residual. Você era um negro absorvido por aquela elite – a antropofagia brasileira, né? -, e passavam a não enxergar muito a sua cor.

De certa forma até reforçava esse mito da democracia racial.

Exatamente. “Querer é poder”, e a partir daí somos todos iguais. Essa percepção acho que hoje  é um pouco menos verdadeira, até porque você tem um processo crescente de mobilidade social de negros pela educação e não mais pelo talento extraordinário – “grande jogador de futebol”, ou “grande cantora” etc –, e isso tá muito na massa crítica. E como o número acaba crescendo, gera desconforto e tensão social. Então hoje eu acho que, em vez de “subi na vida, sou menos preto”, escuto outra coisa; por exemplo, de uma grande amiga e pensadora, Giovana Xavier, que diz: “quanto mais eu estudo, mais preta eu fico, eu enegreço com o tempo”. E acho que o meu processo foi muito parecido com isso, ao entrar na faculdade e começar a entender algumas nuances, de não sentir culpa de ser preta.

Como era na UFF?

Pouquíssimos negros, mas eu tinha um professor, Júlio Tavares, que era um cara muito militante. Ele falava muito abertamente, porque ele tinha uma coisa da comunicação corporal também, ele jogava capoeira, então tinha uma exaltação à expressão corporal que eu reprimia muito. Eu usava muita roupa larga, eu me invisibilizava um tanto. Não usava maquiagem, nem batom, tinha uma mulher muito guardada naquela estudante. Mas era uma coisa assim: “não faz marola, não chama atenção, deixa quieto”. E o Júlio foi um cara que teve um papel. Depois, o segundo papel, foi a redação do Jornal do Commercio, que devia ter uns três negros, e eu acho que era só. Mas é engraçado que eu entrei ali e as pessoas me achavam bonita, o que pra mim era uma novidade. Nunca me achei bonita, atraente, na escola de classe média onde fui adolescente eu não era a menina com quem os garotos queriam ficar, eu era sempre a melhor amiga dos garotos. Eu não percebia na época que aquilo era racismo, só achava que era feia. Então quando entrei no Jornal do Commercio sofri um certo assédio – mas não aquele abusivo – e ficava pensando: “mas de onde essas pessoas tiraram isso?”. Mas minha consciência, identidade, afirmação negra, ela vai despontar com mais força no Globo, por volta de 1997. Em 94 entrei no Globo, em 95 engravidei da Isabela, e acho que a maternidade me empoderou muito. E coincide com o início de uma produção muito significativa de estatísticas, de dados, sobre desigualdade racial.

Sua formação em Estatística te ajudou nisso?

Total. Só sou jornalista de Economia por isso. Foi minha vantagem competitiva desde o início da faculdade, tinha uma intimidade com número. Já entrei no jornalismo pela Economia. E em 97, o Marcelo Paixão fez uma pesquisa sobre o IDH dos pretos e dos brancos, e eu fiz essa matéria. Foi uma capa da Economia, lembro até de a Miriam Leitão vir falar comigo: “que interessante!”. E a partir dessa produção de dados, e compreender isso, e relacionar isso à minha origem, às histórias de família, de subúrbio, isso consolidou meu jornalismo, de um lado, e minha identidade negra, de outro. Um caminho sem volta.

No Globo a proporção de negros era parecida com a do JC?

Ah, sim, muito poucos.

O jornalismo é racista?

É. Profundamente. Reflete inteiramente essa invisibilidade imposta aos negros. Inclusive hoje num grau mais grave do que no passado, quando comecei. Pelo seguinte: a gente já vive há mais ou menos uma década uma realidade um pouco diferente, com os negros entrando na universidade, jovens negros com um certo protagonismo, que ainda são invisibilizados. A presença dos negros nas redações é ínfima – a gente ainda é minoria na produção, entre os âncoras, apresentadores e repórteres, uma minoria que não corresponde à nossa presença na sociedade brasileira (se fala em 53 a 55% de pretos e pardos na população), e nas redações isso é residual, mais ainda entre colunistas. Tem um levantamento da Uerj de 2015 dizendo que aproximadamente 25% dos colunistas dos três maiores jornais do país são mulheres – então são predominantemente homens – e negros não chegam a 10%. O jornal que mais tem negros colunistas é o Globo e dá 9%. Então o primeiro eixo é a falta de profissionais negros nas redações, em espaços de opinião, como colunistas. Chefia não existe. Tem um eixo de opinião ou visão de mundo que fica escondido. Por outro lado, o próprio noticiário repete uma visão muito estereotipada dos negros. Quando um negro aparece como personagem, de modo geral ele está falando sobre racismo, quando de alguma forma ele é convidado a opinar, ou de carência, ausência de serviço público, miséria, pobreza. É uma estereotipação antiquada e antiga. Se você vai entrevistar um advogado, digamos, sobre guarda compartilhada, esse advogado vai ser branco. Qual o problema de se entrevistar um advogado negro? Ou uma advogada negra? Médicos? Engenheiros? Professores universitários? Frequentador de shopping?

Você acha que poderia haver um esforço das chefias, ou mesmo dos repórteres, no sentido de ampliar essa participação?

Acho. Tem que botar no repertório. Tem que ter um banco de fontes negros. Assim como mulheres. Setenta por cento dos jornalistas brasileiros são mulheres, e no entanto os homens são setenta por cento dos entrevistados. Então mesmo as mulheres sendo maioria na reportagem, naturalmente você vai reproduzindo os mesmos nomes. Ninguém manda: “Tá aqui essa pauta, você por favor só me entreviste homens brancos”. Mas nas suas referências, quando você ouve determinadas palavras, você associa a um homem branco. Então a gente é refém de imagens estereotipadas que precisam ser reconstruídas, e isso é papel do repórter.

Profissionalmente você passou por episódios de racismo?

Vários. Primeiro, assim que eu entrei no jornalismo econômico, que tem um ranço elitista, eu me sentia desconfortável sobretudo nos almoços, quando de modo geral eu era a única negra. Me observavam usar os talheres, e eu não sabia mesmo usar, tinha um código ali, por não ser de classe média, que eu precisei aprender. E vivi a experiência da sexualização excessiva atribuída à mulher negra – sofri inúmeros assédios pesados, de mais de um chefe, em todos os empregos que eu tive; já fui agarrada por mais de uma fonte, uma coisa surreal. Um deles inclusive era um homem negro, o que foi uma grande decepção. Constrangimentos que têm a ver com ser mulher e negra. Eu inclusive já ouvi essa expressão: “pô, incrível, ter uma mulher com quem eu possa falar sobre economia e a quem eu tenho vontade de beijar na boca”. Outro lado é de alguma discriminação, que não me impediu o exercício do trabalho, mas uma vez fui entrevistar um executivo do mercado financeiro no Alto Leblon e ouvi o porteiro perguntando se era para eu subir pelo elevador social ou de serviço. E fui confundida com uma prostituta num hotel em Brasília. Tinha ido a uma recepção do FMI, e cheguei tarde no hotel. Falei o número do quarto na recepção, e o sujeito ligou pro quarto. E falou: “Ninguém tá atendendo”. E eu respondi: “Ninguém tá atendendo porque é o meu quarto”. Foi horrível. Eu não tive reação de brigar. Fui pro quarto chorar. Fiquei pensando o que estava de errado na minha roupa, qual foi a pinta que eu dei pra ele achar alguma coisa. Esses episódios foram trabalhando. Mas um ano atrás vivi outra sutileza do racismo brasileiro, quando fui me operar para tirar um nódulo do seio num hospital de elite da Zona Sul. Eu estava de branco, porque era uma sexta-feira e eu sou do candomblé, me visto de branco às sextas. E aí a enfermeira entrou, me viu e perguntou: “Dona Flávia já foi pro centro cirúrgico?”. Eu falei: “Dona Flávia sou eu”. E ela: “Ah, tá! É que você tá tão bem que nem parece que vai ser operada!”. Mas eu falei: “Quem é a negra de branco no quarto do hospital? Só pode ser a acompanhante da madame”. E isso é o tempo inteiro.

Você já teve alguma reação numa situação dessas?

Já. Dei um escândalo numa loja de móveis porque fui fazer uma reclamação, o sujeito foi muito grosseiro, e veio o dono, tocou em mim e falou: “Calma, pretinha”. Fiz um mega, ultra escândalo, foi um barracão. Mas, por exemplo, acho curioso que nunca sofri ataque no Facebook.

Falando um pouco sobre a diáspora forçada dos africanos, acho que uma das coisas mais cruéis é a ausência de ancestralidade, de não saber suas origens. Você fez um exame de DNA que te fez conhecer a sua. Como foi?

Foi fortíssimo. Eu estou num caminho de encontro da minha ancestralidade há cinco, seis anos, quando minha mãe morreu. Viajei pra Bahia, tive alguns encontros, e depois surgiu o projeto “Brasil: DNA África“, que descobre a origem da linhagem materna, e depois por um encontro casual, em que me descobri parente de Mãe Beata de Iemanjá. Então tenho dois eixos de ancestralidade: primeiro, esse do DNA, que foi absolutamente surpreendente. Veio o resultado Guiné-Bissau como origem, o povo balanta, e eu não tinha qualquer referência disso. Só sabia que existia Guiné-Bissau porque a gente estuda que existem sete países que falam português, e esse é um deles. E a gente foi pra Cachoeira (BA) e achou o inventário da minha bisavó, que muito provavelmente nasceu escrava. Então essa é a linhagem feminina, que vem da Guiné-Bissau. E o meu bisavô, pai da minha avó materna, tinha uma fazenda. Tenho que investigar mais, porque não sei como ele passou a ter uma fazenda. Mas ela é importante porque essa fazenda hoje é um território remanescente de quilombo. Então além de ser descendente do povo de Guiné-Bissau, me sinto também quilombola. Foi um sentimento muito forte, embora eu ache que meu bisavô era um adesista. Um cara que era mau. Foi delegado, então prendia negros, pelo que consegui apurar superficialmente. Então poderia ter sido um capitão do mato. Mas era uma autoridade, uma figura importante, e encontrei colonos que ainda lembravam dele.

Vai ter fim um dia o racismo?

A humanidade vai em ciclos. Pode daqui a pouco ser menos a cor da pele, em razão de ascensão educacional ou de militância por direitos mesmo, mas você tem sempre algum grupo com aversão às diferenças. Aconteceu com os judeus, aconteceu com os ciganos, acontece com os LGBTs, acontece com as religiões de matriz africana – o que tem também um componente de racismo -, então, assim, alguma intolerância é típica do ser humano. Eu só tenho esperança de que ela não tenha a escala que já teve e que ela diminua. Que seja exceção, e não a regra.

O Brasil terá um presidente negro?

Talvez não demore muito. Acho que se o Joaquim Barbosa se candidatar tem alguma chance. Mas o Brasil esteve perto de ter a Marina Silva, que não se assumia,  embora se autodeclarasse. Não tinha um discurso. Não é só sobre ter um presidente negro, mas que ele tenha identidade e atue na direção de desconstruir a desigualdade. Porque não necessariamente ter uma presidente mulher provocou grande mudança na questão feminista.

Mas você não acha que a primavera feminista tem sido muito mais presente nas discussões, em geral, o que trouxe uma presença maior das mulheres nos últimos anos? E a primavera negra?

Ela está acontecendo, e com uma força talvez até maior. A primavera feminista tem muita visibilidade porque ela foi percebida por esse jornalismo branco de classe média. É uma agenda de mulheres brancas, de igualdade no mercado de trabalho, de renda. Como ela tem protagonismo de mulheres brancas, ela é mais enxergada por esses núcleos de produção de notícias da classe média. Agora, o movimento negro hoje é fortíssimo, tem uma militância, uma escala, uma voz muito forte nas redes sociais, na mídia alternativa, um discurso crescentemente mais alinhado, então a gente tá permanentemente disputando narrativas e apresentando a questão do extermínio dos jovens negros, a situação das mulheres negras. Recentemente, teve esse caso do afastamento do William Waack. Essa expressão racista que ele usou no comentário, que viralizou, foi imediatamente ressignificada pelo movimento negro, trazendo para a agenda positiva as “coisas de preto”. As coisas maravilhosas que os pretos legaram ao Brasil e ao resto do planeta. Essa fagulha é muito forte. Não é só a primavera, não, são as quatro estações dos negros que estão nas ruas.

Você já falou que o jornalismo é racista. E esse novo jornalismo, gerado pelo próprio personagem da notícia, com o advento das mídias sociais e a democratização da internet, você acha que pode ser uma força determinante?

Acho. Porque de alguma forma a gente tem escala. E essa escala cria visibilidade, e a mídia tradicional não pode ignorar a agenda. Aconteceu com o William Waack. Aconteceu com a propaganda de Dove, com ameaça de boicote. Com a Maria Filó, com a estampa de Rugendas. Aí tem os blocos, que se negam a cantar “O teu cabelo não nega”, e gera polêmica. Aí tem “Vazante”, que o movimento negro confronta a Daniela Thomas no Festival de Brasília. Aí a Veja faz uma matéria falando sobre como é difícil ser negro no Brasil. Isso é tudo muito novo, e muito interessante. Pra mim, prova material de que o que você chamou de primavera está aí. É só querer enxergar os sinais. O combate e a massa crítica tomou as ruas.

E a adesão branca, é importante?

[Titubeia] É bem-vinda. Não vou dizer que é importante. A gente não pode falar de racismo sem falar de branquitude. Racismo é um mal que afeta os negros mas não é provocado pelos negros. É provocado por essa visão de supremacia branca. Então é uma culpa que os brancos carregam, precisam assumir. Precisam se olhar no espelho e enxergar seus privilégios, o privilégio de não precisar pensar qual é a cor da sua pele, desde que você nasceu. É a diferença de poder correr na rua e um negro não poder. É você poder eventualmente trocar olhar com um policial e um negro não poder. Então é preciso que os brancos pensem nesse local de privilégio e estejam dispostos a abrir espaço à igualdade. Agora, se não estiverem, a gente não vai recuar. Não é que o movimento de construção de igualdade seja revolucionário. Ninguém pensa em “vamos expulsar os brancos”, “brancos não entram”. Somos todos brasileiros, mas a gente quer espaço. Mas como dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo, como diz a Física, alguém vai ter que sair pra gente entrar. A disputa igualitária por territórios vai fechar determinadas portas que estavam dadas. Era uma cota às avessas. Agora a gente vai ter que partilhar isso, redistribuir essas posições. Quem estiver aberto a isso será muito bem-vindo.

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