Ir para conteúdo

RIOetc entrevista Fe Cortez, do Menos1Lixo

Fotos:
|
Texto: RIOetc

[Tiago Petrik]

Quando criança, Fernanda Cortez disse para a mãe que queria ser ecologista. E ouviu de volta: “Não viaja, minha filha! Voce não gosta de acampar, nem de Miojo!”. Era verdade. Decidiu então ser agente do FBI. Desta vez, a mãe nem precisou desencorajá-la. Fe acabou se formando em Administração, com ênfase em Marketing e Moda. E militou nessa área por mais de uma década, até criar uma agencia de conteúdo digital, a 220. Ao assistir ao filme “Trashed”, de Jeremy Irons, percebeu que não era necessário gostar de macarrão instantâneo ou de dormir numa barraca para empregar todas as suas expertises a serviço da natureza.

“Saí do filme com muita raiva da indústria, que faz e joga o lixo onde quer, e do governo, que não controla. O que eu, como cidadã que não é industrial nem do governo, poderia fazer?”, lembra.  Há pouco mais de três meses, lançou o projeto Menos1Lixo. “Percebi que quem pensa sustentabilidade muitas vezes não pensa num formato de comunicação. O discurso ou é feio ou é chato e isso afasta as pessoas”, define.

A plataforma mantém a velha ideia de compartilhar com o público boas ações sustentáveis, mas incorporou um novo personagem – o herói dessa história –, um copinho retrátil de alumínio, antes restrito ao nicho de pesca e camping (que ela até hoje não frequenta!), que passou a ser o companheiro de Fernanda onde quer que ela fosse. Ao ver o produto, importou 20 de uma vez, distribuiu a amigos e guardou três. “Resolvi começar a contar quantos copos de plástico eu deixava de utilizar”, diz. “E o copo me fez mudar todas as atitudes de consumo da minha vida. A gente não descarta só o que é lixo, a gente descarta até pessoas. O copinho é um símbolo para lembrar de lembrar”, conta.

Através de um pesquisador da Coppe, ficou sabendo que as pessoas que trabalham em  empresas usam em média 9 copinhos plásticos por dia (de 1º de janeiro até hoje, Fernanda economizou 378 copinhos, média de 5,4 por dia, segundo o aplicativo criado pelo Menos1Lixo, que contabiliza o feito).  Mais alguns números que assustam a mentora do projeto:

– para fazer um copo de 300ml, são gastos de 500ml a 3 litros de água;

– depois de seu descarte, o valor é muito mais baixo que o das garrafas PET, então praticamente não se recicla;

– 500 milhões de copos descartáveis são fabricados por mês em apenas uma fábrica em Santa Catarina;

– 8 milhões de toneladas de plástico por ano são atirados como lixo nos oceanos – a mesma quantidade de atum que é pescado (“Praticamente estamos substituindo atuns por plástico”);

– 30% do petróleo do mundo é consumido na fabricação de plástico, e 80% dos produtos gerados tem vida útil menor que um ano;

– a Comlurb gasta R$ 100 milhões por ano só para limpar a areia da praia;

Sobre este último dado, Fernanda comenta: “Mas o Menos1Lixo não é uma campanha para que as pessoas simplesmente joguem o lixo no lugar certo, e sim que gerem menos lixo mesmo”.

Para ajudar na divulgação, convocou amigos famosos – Nanda Costa foi a primeira, e os também atores Fernanda Paes Leme e Hugo Bonemer já aderiram – para desafios de uma semana, vivendo a experiência de gerar menos um, dois, três, vários lixos, através dos copinhos retráteis. A corrente ganhou vida no Instagram. “Todo mundo quis comprar, mas eu não tinha pensado nisso”. Problema resolvido. Agora estão sendo vendidos – e cada compra permite a doação para ajudar a financiar as ações do movimento, para que a boa ação vá mais longe. “O consumidor precisa entender que ele é o agente da mudança”.

Fotos: Tiago Petrik

Comentários