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RIOetc entrevista: Fabio Lopez – mini Rio

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Texto: RIOetc

[Francesca Leta]

O Rio vai passar por um momento de muita visibilidade no ano que vem e o designer carioca Fabio Lopez enxergou essa janela de oportunidade. Fabio é formado pela Esdi (Escola Superior de Desenho Industrial da Uerj) e é professor da PUC-Rio. Em abril de 2014 começou a desenvolver o projeto mini Rio, uma síntese gráfica da cidade.

O projeto apresenta e homenageia a Cidade Maravilhosa através de pictogramas – ilustrações simplificadas que comunicam rapidamente ideias e conceitos de maneira não verbal. O interesse por temas olímpicos e por pictogramas é de longa data: Fabio tem uma coleção sobre o legado visual das Olimpíadas de Londres e trabalhou na criação da marca dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

O mini Rio demorou cerca de 17 meses para ficar pronto. “Admito que cobiçava o tempo que os meus alunos têm para desenvolver os projetos. No mercado de trabalho é tudo pra ontem. Não tinha tempo suficiente para me dedicar a um único projeto”, confessa o professor. O trabalho foi dividido em fases: de abril até dezembro, o foco foi nos desenhos. Até o começo desse ano preparou a maioria dos textos e depois trabalhou em cima dos desenhos criando desdobramentos para eles, o que ele chamou de mini Lab.

O primeiro passo do projeto foi listar 100 coisas marcantes do Rio, uma análise pessoal de um carioca da gema. “Pode parecer muito, mas no final foi difícil escolher o que deixaria de fora. Optei por retratar o Rio como é: com lindas paisagens, mas também com seus problemas. Não quis censurar o produto.” Exemplifica com o pictograma da Lagoa Rodrigo de Freitas: a clássica estátua com um arco e flecha apontando para a lagoa somada a peixes mortos – referindo-se a imensa mortandade que houve este ano – e em muitos outros.

Um pictograma leva em média quatro horas para ser finalizado. A Vista Chinesa, o bicho-preguiça e o sagui entram no ranking de favoritos do designer. “Entre os mais difíceis estão o MAM, por suas pilastras em perspectiva, e São Jorge, por ter que encaixar muitos elementos sem perder a identidade e a leitura”, divide Fabio, que tem enorme preocupação com a unidade visual entre os pictogramas.

Fabio não considera o processo finalizado. Ele teve que cumprir um deadline comercial, porém quer continuar expandindo enquanto o projeto está na praça. Ainda sem endereço certo, o mini Rio está em busca de empresas parceiras que se interessem em acolher a pequena família carioca.

A experiência desses meses já trouxe muitas coisas boas: aprendeu mais sobre prática de projeto; percebeu que não é viável – nem saudável – centralizar todas as funções; novas portas foram abertas… Fora as muitas outras coisas que estão por vir, Fabio pensa em uma exposição e um livro sobre o projeto.

Se você ficou curioso e quer saber mais, a boa notícia é que amanhã vai rolar uma palestra com ele explicando mais sobre o projeto, no Coworking DOCA.

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Fotos: Bruno Machado

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