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RIOetc Entrevista: Ciclovias Invisíveis

Fotos:
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Texto: RIOetc

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Fotos: Juliana Rocha

[Carolina Tardin]

Diretamente do Código de Trânsito Brasileiro:

 “Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.”

A bicicleta é um veículo com direito de estar na via com os demais. A bicicleta deve circular nas ruas. Na grande maioria das vias de nossa Cidade Maravilhosa, o ciclista carece de espaços apropriados para seu trânsito, tornando-se então, invisíveis. O lado bom disso é que esses ciclistas vêm avolumando o time dos que pedalam pelas Ciclovias Invisíveis nos últimos anos. Retratar essa realidade é a missão da Michelle Castilho, que iniciou o projeto há mais ou menos cinco anos e hoje tem orgulho de reforçar que o ir e vir com a magrela é um direito.

Michelle é formada em Jornalismo e o projeto nasceu de sua conclusão de curso. Na época, o que mais chamou a atenção foi o fato de muita gente circular mesmo sem ciclovias, de forma quase “clandestina” entre os carros. “Quando eu não pedalava, não tinha o olhar pra eles, não enxergava”, explica Michelle, que teve o estalo de perceber esse comportamento geral e criar um projeto que usa a fotografia pra exaltar esses ciclistas que estão nas ruas e que andam sem estrutura.

O papel da internet e das mídias digitais dentro do projeto

O que começou como um blog, dentro de toda a estrutura esmerosa que uma fotógrafa profissional portando câmeras de alta tecnologia pode ter, se tornou um esquema simples e de rápido compartilhamento. Hoje o Ciclovias Invisíveis tem a capacidade de clicar, postar e espalhar a mensagem quase que instantaneamente. Michelle completa: “a mensagem é mais importante que a técnica da foto”.

Por ser um projeto fotojornalístico, o Instagram se tornou seu melhor amigo, trazendo o frescor do cotidiano. O esquema é o seguinte: as fotos são postadas no perfil @cicloviasinvisiveis a partir da #cicloviasinvisiveis e já são diretamente compartilhadas no perfil do Facebook e Twitter. Por fim, todas as fotos publicadas no Instagram com a hashtag, são reunidas no site do projeto, completando um conteúdo crossmedia e totalmente colaborativo.

Michelle acredita que desde o início do projeto, muito já avançou – novas ciclovias, mais pessoas de bike por aí – e acredita que a tendência é a demanda em relação a essa prática aumentar cada vez mais. Incentivo é o que não falta: hoje é o último dia da Semana da Mobilidade Urbana que serviu de deixa pra uma série de eventos públicos, seminários, campanhas educativas e passeios ciclísticos pelo país. Taí o convite – praqueles que usam a magrela de vez em quando e pra quem ainda não a incorporou na rotina – de pensar nela como uma opção que pode ser, não só sustentável, mas também prazerosa.

E praqueles que já pedalam pra cima e pra baixo por aí: use a hashtag #cicloviasinvisiveis, quem sabe vocês aparecerecem por lá e ajudam esse projeto?

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