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RIOetc entrevista as Divas Revolucionárias

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Tiago Petrik]

Elas se autointitulam “Divas Revolucionárias”, e assumem: querem, sim, discutir a relação. “DR é uma revista de política e cultura feita por mulheres. Surgiu da dificuldade de discutir política com homens e do desejo de conversar sem colocar o pau na mesa”, explicam no editorial do número 1. “Quando tem um homem na discussão, parece que ele tem uma necessidade de dar uma palavra final, uma verdade definitiva”, acrescenta Tatiana Roque, professora de Filosofia e história da ciência na UFRJ, uma das divas.  “Sentimos falta de um espaço para falar de política entre mulheres mas sobretudo sem a censura da “voz da verdade”, que muitas vezes é exercida por homens, mesmo que não exclusivamente”, completa a antropóloga Oiara Bonilla, professora da UFF.

Completam o time Ana Kiffer (professora de Literatura e cultura da PUC-Rio), Bárbara Santos (diretora artística da KURINGA-Berlin e da Rede Madalena/Teatro das Oprimidas), Fernanda Bruno (estudos de mídia e subjetividade, professora da UFRJ), Mariana Patrício (professora do CCE da PUC-RJ e pesquisadora do Temas de Dança) e Thamyra Thamara de Araujo (fotógrafa, jornalista e mestre em Cultura e Territorialidade pela UFF). Nas fotos acima estão Thamyra, Tati, Oiara e Ana. Como se vê, um grupo bastante heterogêneo, que se propôs o desafio de escrever em termos não-acadêmicos, ao contrário do que fazem no dia a dia, em geral.

E quem inspira as divas? Todas as mulheres negras. Todas as mulheres indígenas. Todas as mulheres que sobreviveram a abusos sexuais. Todas as que lutaram contra a ditadura na América Latina. As mulheres do MST. As mães de Maio. Maria Bonita. Pagu. Frida. Duras. Virgínia. Mas ainda e muito mais anônimas, que moram aqui perto ou do outro lado do mundo. Além das gerações anteriores que carregaram essa luta.

“O estalo aconteceu nas manifestações de junho de 2013. Parece que havia uma surdez para aquilo que a gente estava chamando de uma política conectada aos afetos. Não só dados importam, mas também o modo como as coisas são feitas, o tom”, diz Ana. Apesar de assumidamente feminista – embora nenhuma delas tenha tido uma formação feminista stricto sensu -, a DR não se opõe, segundo garantem as editoras, a colaborações masculinas. “A linguagem é que não será “masculina”, no sentido de que a DR é uma linguagem que se estabelece por definição no diálogo. O tom dado pela DR não pode ser neutralizado ou esvaziado por uma suposta racionalidade externa, objetiva, acadêmica, masculina nesse sentido”, explica Oiara. “A ideia é que nos próximos números outras pessoas colaborem, mas neste primeiro número fomos só nós escrevendo, como uma forma de nos apresentar”, diz Tati, que prevê uma periodicidade quadrimestral para a publicação, disponível em pdf. Já foi feita a convocação: quer participar dessa DR? Manda seu texto para [email protected].

 Fotos: Tiago Petrik

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