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RIOetc entrevista André Eppinghaus

Fotos:
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Texto: RIOetc

Fotos: Tiago Petrik

[Tiago Petrik]

O inglês Saul Taylor era editor da Monocle e queria ficar por dentro das paradas do Rio. Consultou então o amigo André Eppinghaus, publicitário carioca, sobre o significado de “parada”.

– É como bus stop? – perguntou.

– Pode ser, mas não é só isso.

– É um desfile militar?

– Também. Mas não é só isso.

Claro que não. Todo carioca sabe que “parada” é uma parada que significa várias paradas. Segundo “Carioca de A a Z – 50 sacadas pra curtir o Rio” (Editora Réptil), que André lança hoje na Casa Ipanema, “parada” é o seguinte: “O coringa do léxico carioca. Só no Rio a pessoa fala uma parada, faz uma parada, compra uma parada, vê uma parada, curte uma parada, tem uma parada… Seu diminutivo, paradinha, também é bastante usado. Essa é a parada, entendeu?”

Quem não entendeu provavelmente precisa começar pela letra A. Lá estão “açaí”, “altinha”, “Arpex” e “azaração”. E aos poucos a galera (verbete que ficou para um próximo livro) vai se sentindo mais sinistra (“uma palavra tão superlativa quanto o Rio. Pode significar bom ou ruim, esquisito ou legal. Porém nunca é pouco”) no linguajar, permitindo que o visitante possa trocar uma ideia (“com sua criatividade, [o carioca] consegue aconselhar, avisar, falar a verdade ou ir pra azaração apenas dando uma ideia”).

Nem só de traduções fundamentais do carioquês é feito o guia – que André não considera como tal, ou não propriamente na definição dicionarizada do termo. “Já existem aqueles que falam sobre os pontos turísticos, os restaurantes, e até os que ensinam frases feitas em português. Este livro não tem a pretensão de determinar, só quer conversar”, diz. Então, no papo (outra das 50 palavras escolhidas) ele também explica curiosidades como o nome da Saara (Sociedade de Amigos da Alfândega e Ruas Adjacentes) e, claro, seu significado pra cidade e uma definição muito no ponto: “Quente, sim. Deserto, nem um pouco”.

O livro foi produzido em duas edições, uma em inglês e outra em português, igualmente distribuídos. “Mas a versão em inglês não é uma mera tradução do português, fizemos já pensando que o texto fizesse sentido”. Vem ainda com a indicação de como cada uma das 50 palavras deve ser pronunciada no sotaque local (“Demorô”, por exemplo, é [dam-o-row] foneticamente).

A escolha dos vocábulos obviamente se deu da maneira mais carioca possível: em mesas de bar. André e os amigos Alexandre Bonfim e o próprio Saul Taylor, o gringo da parada, chegaram a listar quase 80 termos. Para não transformar a piada numa bíblia, chegaram aos 50. Todas elas fartamente ilustradas pelas ótimas fotos de Lucas Bori. A palavra “vacilo”, em especial, não podia ser mais bem definida numa imagem: é o próprio fotógrafo sentado num bar, tomando um chope, mas recebendo um outro chope no meio da fuça. Vacilo.

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