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RIOetc em Casa #4 entrevista Renata Abranchs

Fotos: Derek Mangabeira
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Texto: Haydée Lima

Foram algumas semanas de saudade, mas estamos de volta com o #RIOetcEmCasa e essa edição não poderia ser na casa de ninguém menos que da nossa musa inspiradora e amada, Renata Abranchs :) 

Para começar essa visita mais que especial à casa da nossa querida fundadora do RIOetc, queremos que nos conte um pouco sobre você, sobre a sua história de amor pelo Rio e como esse amor se transformou em um dos seus mais lindos projetos no cenário carioca. 

Carioca, nascida no Grajaú. Cruzamento de assistente social com artista plástico. Neta de modista, maestro e alfaiate. Adolescente de violão nas costas. Primeiro crush da adolescência: Oswaldo Montenegro. Mas Caetano, Chico, Gil e Zora Yonara (rs) que ajudaram a formar meu caráter. Fiz Belas Artes e Estilismo. Minha carteira de motorista venceu há 12 anos. Astrologia é uma diversão. Câncer com ascendente em Peixes, Lua em Áries, Vênus em leão. Fraternal, numa linha meio Irmã Dulce. Afrontosa, meio Leila Diniz. Empreendedora em série. DDA corajosa e louca por banana. 

Nas minhas viagens pelo Brasil e pelo Mundo, sempre tive a mania de fotografar as pessoas nas ruas e puxar uma prosa com elas. Numa dessas viagens, em 2007, eu e o Tiago (Petrik), hoje, sócio-editor do RIOetc, tivemos o grande insight: por que não fazer o mesmo no quintal da nossa casa, o Rio? Vamos fazer os mais lindos registros da primeira metade do século 21 e deixar um legado para quando os escafandristas chegarem! rs 

E assim, começamos a nossa aventura pelas ruas da cidade, em busca de cenas singulares e personagens autênticos, inspirados pela obra do jornalista João do Rio, A Alma Encantadora das Ruas. E não paramos nunca mais. 

Em que rua/bairro fica localizada a sua casa/apartamento? Há quanto tempo mora nesse endereço? Qual a sua história com esse lugar?

Moro em Laranjeiras, mais precisamente na rua General Glicério. Aos meus olhos, a mais bonita e encantadora do Rio e habitada por almas sensíveis. Depois de ter vivido em alguns CEPs pela cidade, eu digo sempre que, por mim, só saio daqui direto para o crematório. No meu primeiro amanhecer neste apê térreo que mais parece uma casa, (junho de 2014), fui tomada por uma felicidade tão grande como nunca antes! Daí, entendi que aqui é o meu lugar. Tão bom!

Você acredita que a sua casa conta uma história? Com o que você mais se identifica nos objetos e na decoração? Quais os seus lugares e cantinhos cativos da casa?

Sim, a minha casa conta completamente a minha história. Até porque quase não tem armários. É tudo exposto, transparente. Minhas lembranças de viagens; meus livros; minhas memórias, impregnadas em tudo. Para onde eu olho, tem um pedacinho da vida da Renata. Nada é gratuito ou meramente decorativo. Tem razão de estar aqui ou ali. Como eu. Derrubei parede para entrar mais luz e reforcei o jeito de uma revigorante pousada na Bahia. É o lugar que mais amo estar na vida. Sozinha, com o amor, família, amigos. Tem sempre música boa . Amo receber e faço com uma frequência bem acima da média de todos as meus amigos cariocas. Deve ser o sol em câncer ; ) Sou cria de uma família matriarcal e noto que reproduzo sempre a casa da minha infância, o jeito de morar da minha mãe e da minha avó, simples e aconchegante. Paredes brancas, muita luz natural, planta tropical pra todo lado, sofá gostosão de algodão, música com fundo de passarinhos, aroma de almoço ou café saindo ou ainda, de patchuli pra acentuar a felicidade. Quer dizer, para acentuar mesmo a felicidade, é fundamental a presença de um “irmão menor” ou um melhor amigo peludo. Hoje, quem me acompanhe é a MiMi. E, se eu pudesse, teria também alguns cachorros adotados e um chimpanzé! Amo.

Como foi para você a mudança do escritório físico do Bureau em Botafogo para a sua casa? Quais as dores e delícias de trabalhar em casa com a sua equipe à distância?

Em junho de 2019, depois de alguns meses começando os investimentos no negócio digital da nossa vida, o CRIÁVEL online, resolvemos desapegar do escritório físico que ficava na Praia de Botafogo, em frente ao Pão de Açúcar, para migrar para o modelo home office. Foi a melhor decisão que poderíamos ter tomado. Crescemos muito profissionalmente com esse novo formato. Aprendemos a gerir melhor nossas tarefas e projetos à distância. Algumas de nós puderam se mudar para outras cidades e até países! Tem parte da equipe perto de mim, no Rio, mas também  tem gente em Floripa, Friburgo, Lumiar, Paris, Barcelona. (Não é demais?!)

A transição não foi fácil, muita coisa para aprender a gerir “na nuvem”, mas depois de alguns meses de uma adaptação doída, com toda a equipe trabalhando quase o dobro, hoje, só agradeço ao universo por nos ter preparado tão bem para este ano de 2020.  

Nos conte sobre seus rituais diários em sua casa. Que hábitos da sua relação com esse ambiente são sagrados e fazem dele um espaço unicamente seu?

Me relaciono com a casa como se ela fosse uma entidade. Na verdade, para mim, é. Quando acordo, escancaro todas as janelas para a alegria entrar. E mentalizo isso. Ligo a minha playlist OMMM, acendo um incenso NagChampa, faço algumas saudações ao Sol (suryas) e faço a Meditação da Mente Serena.

Como a quarentena transformou a sua relação com o interior e com o exterior da sua casa (a rua, o bairro, a vizinhança).

Nesta pandemia ficou muito claro para mim que não quero mais um despertar corrido, sem esse tempo precioso para sintonizar com o meu íntimo e com a Terra. E não quero mais aquela rotina exaustiva (e sem sentido) de tantas viagens a trabalho. Por isso, tenho dormido e acordado mais cedo e buscado manter uma rotina equilibrada de horários para as tarefas pessoais e profissionais, a mente serena, o corpo e o espírito alimentado por coisas saudáveis. Comecei a caminhar  todos dias, cedinho, pelas ruas do bairro (com todos os cuidados) e isso tem sido um presente para o meu corpo, mente e espírito. Os desafios parecem cada vez maiores, sabe? Mas a minha  intuição anda mais forte que nunca e posso afirmar que minha ansiedade diminuiu um tantão. 🙏🏼✨

Por fim, deixe aqui uma mensagem do seu coração para o Rio. 

Rio, lá em 2007, quando eu decidi exaltar você, os seus habitantes, amantes, (nativos ou não), eu te encontrei maltratado e desolado, assim como hoje. Mas logo os bons ventos trouxeram uma Olimpíada, duas Copas, outros eventos bonitos junto com monte de investidores, maquiagens e visitantes animados. E parecia que, finalmente, decolaríamos, apesar dos nossos graves problemas estruturais históricos e da desigualdade que nos assola. Você é generoso, Rio, e deve ser por isso, que quem aproveita de ti, nunca se dá por satisfeito, sempre pode ter mais…

Mas a vida é feita de ciclos e você já passou por outras poucas e boas. E vai passar por esta também. 

Rio, você não está sozinho. Estou aqui com você.

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Nosso agradecimento especial à Farm, Lulu Novis, Wasabi e Jouer Couture pelas peças maravilhosas que compuseram esse ensaio. 

RIOetc em Casa #4 | Conteúdo: Haydée Lima | Fotos: Derek Mangabeira.

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