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RIOetc em Casa #2 entrevista Lila e Pedro

Fotos:
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Texto: Haydée Lima

Na nossa segunda visita da série #RIOetcEmCasa, tivemos a honra de conhecer a casa de uma família muito especial por aqui. E nada melhor que fazer essa visita em plena semana dos namorados e celebrar um amor pra lá de carioca!

Estamos falando da Lila e do Pedro Garcia, queridos no RIOetc, clicados por nós desde outros carnavais…

Lila é cantora e compositora, nascida no Amapá, veio para o Rio aos 3 anos de idade, e aqui viveu até os 35. Pedro é carioca, artista e empreendedor, criador do projeto fotográfico Cartiê Bressão e um dos fundadores do Queremos. E desse encontro nasceu o Benedito, o pequeno de um ano e dez meses do casal.

Como se conheceram e decidiram morar juntos?

Conheci o Pedro no Rio, ele passou um tempo morando fora, mas na mesma semana que ele voltou pro Brasil, a gente se conheceu e logo engrenou. Um ano e meio depois a gente foi morar juntos.

Onde fica localizado o apartamento de vocês? Há quanto tempo estão morando nesse bairro? Qual a história de vocês com esse lugar?

Depois que fomos morar juntos, passamos por alguns bairros do Rio e agora nos mudamos para São Paulo. A gente tá morando no bairro de Higienópolis, que é um bairro tradicional aqui de São Paulo. Viemos pra cá no fim da minha gravidez, porque sentimos a necessidade de um apartamento um pouco maior do que a gente tava, na época morávamos num apartamento tipo loft, então a gente veio pra um lugar mais estruturado para receber o neném, então nessa época eu já estava gravidona! Estamos nesse apartamento há 2 anos.

Vocês acreditam que a casa de vocês conta uma história? Com o que cada um mais se identifica nos objetos e na decoração? Quais os lugares e cantinhos cativos da casa?

O lugar que a gente tá conta a nossa história, porque traz objetos de muitas épocas nossas, muitas casas diferentes que foram se juntando e formaram a casa que a gente tá hoje. Eu acho que o nosso cantinho preferido sempre é o que tem os livros e a rede, em todos os apartamentos que a gente passou, eu acho. E esse cantinho aqui nessa casa ficou, pra mim (Lila), ainda mais especial porque ele ganhou o meu piano.

O que vocês notam que se transformou na relação de vocês em família e na relação de vocês com a casa, durante a quarentena?

Pra gente, é mais uma questão de intensidade do que diferença, porque a gente já trabalhava muito de casa, então só aumentou a quantidade de trabalho mesmo. Eu acho que na verdade o que a quarentena acabou trazendo foi um lance meio “O Feitiço de Áquila”, pra usar uma referência bem antiga, que é um filme de um casal que de manhã o cara vira uma águia e a mulher é humana, e de noite ela vira um lobo e ele vira homem, então eles nunca se encontram. Eu acho que pra lidar com a intensidade de um filho pequeno, a gente fica em turnos e praticamente só se encontra depois que bota ele pra dormir, no descanso da jornada de trabalho.

O que vocês amam na cidade maravilhosa? Nos contem 3 cantinhos preferidos de vocês no Rio para visitar à dois e se apaixonar.

(Pedro) O que eu amo no Rio é o fato de que parece que ele tem um pouquinho de tudo, todos os tipos de narrativa, todos os arquétipos, todas as formas de consumir uma cidade. É montanha, é mar, é lugar calmo, lugar agitado…

(Lila) Eu amo o calor, a umidade e a natureza do Rio de Janeiro. E aí, os cantinhos que a gente gosta também tem a ver com isso, que são a Pedra do Sal que tem calor, umidade e samba, não tem nada melhor; O Caminho dos Pescadores lá no Leme, que a gente morou pertinho antes de vir pra São Paulo e era incrível; e o terceiro lugar é o Pedalinho.

E sobre os projetos que vocês tem realizado, como tem sido a rotina de trabalho sem poder sair de casa? Que invenções criativas surgiram para superar os limites do espaço? Quais novidades vocês tem para contar?

(Lila): Acabei de gravar um disco sobre tudo o que me atravessou durante a gravidez, parto, início da maternidade, puerpério… Fiz um disco sobre tudo isso, todos os sentimentos que me atravessaram, porque é uma viagem muito profunda toda essa história. E lancei dois singles, já desse disco: o primeiro eu lancei no dia das mães, chamado ‘Bené’, que é um single em homenagem ao Benedito, nosso filho, que foi meu grande muso desse disco, porque foi por causa dele que eu experienciei e vivi tudo o que eu vivi. E o segundo saiu nessa sexta, dia 05, que é um single que fala sobre menstruação, sobre plantar a lua. A minha relação com a menstruação já estava mudando quando eu comecei a usar copinho e eu comecei a entrar em contato mais com a força que é você menstruar e não achar que é uma coisa ruim. Porque tem muito disso na nossa cultura do patriarcado, que quis enfraquecer o nosso corpo de mulher, enfraquecer a gente como ser humano. Fazer as pazes com a menstruação pra mim é uma grande revolução, e depois da gravidez a menstruação ainda ganhou mais significado de força, então eu fiz uma música sobre isso, que saiu na última sexta-feira, chama ‘Lunação’. E para além disso, a gente tem um filho de um ano e dez meses, então está sendo de muito trabalho e muito trabalho com ele, porque é full time né, todo mundo que tem filho pequeno está exaurido na quarentena, porque é muito puxado. Mas é isso, a gente segue trabalhando, evoluindo e aprendendo muito, porque no fundo eles cansam a gente, mas eles também dão o fôlego que a gente precisa, trazem a gente pro presente. Então está sendo uma experiência muito intensa, mas muito enriquecedora.

(Pedro): Comecei, na quarentena, fazendo um projeto chamado Como Ajudar, listando ONGs pelo Brasil, literalmente iniciativas de como é possível ajudar alguém nesse período. E aí, agora que a plataforma já tá mais consolidada, inspirado também nas dificuldades de estar isolado com filho pequeno e em casal, eu fiz uma espécie de ‘Como Ajudar’ para casais, que é o Noite Transante, onde eu tenho chamado artistas para fazerem playlists que ajudem pessoas a se conectarem nesse momento de tanta intensidade de convivência.

E por fim, traduzam aqui o seu amor pelo Rio:

(Lila): O Rio é onde eu me sinto bem.

(Pedro): O que eu entendo como Amor, na sua definição mais ampla, eu diria que tem muito Rio nisso, tudo o que o Rio me ensinou. Seja amor próprio, amor pelos outros, amor pelo ambiente, existe esse componente carioca forjando todo esse sentimento.

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RIOetc em Casa #2 | Conteúdo: Haydée Lima | Fotos: Lila e Pedro Garcia

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