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Made in Brasil

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Gabriela Dore]

Abre amanhã para o público Made in Brasil, primeira exposição dedicada apenas a artistas brasileiros, na Casa Daros (museu dedicado a produção contemporânea de arte Latino-Americana). O RIOetc foi convidado pra dar uma espiadinha nisso tudo com um bate-papo com um dos curadores, Hans-Michel Herzog.

Composta por oito artistas – Miguel Rio Branco, Waltércio Caldas, Cildo Meireles, Antonio Dias, Milton Machado, José Damasceno, Vik Muniz e Ernesto Neto – a exposição contém obras realizadas em diversos suportes: pinturas, instalações, fotografias, livros-objetos, esculturas… Em nosso percurso pelo museu, Herzog fala com particularidade sobre algumas obras. Ele fala sobre algumas obras ali reunidas como “Falando de tudo sem definir nada. Na arte nem tudo tem que ser claro, porque se tudo fosse claro não precisaríamos de arte”.

A exposição começa com uma vídeo-instalação de Miguel Rio Branco, fotógrafo mais conhecido pelo seu trabalho documental de forte carga poética. Herzog exalta o caráter sonoro da obra como um fator para criação de uma sinfonia de imagens.

Do escuro, segue-se para o universo dos livros de Waltércio Caldas: “Só deus sabe o trabalho que dá fazer quase nada”. – comenta o artista ao falar de seus livros-objetos. Em uma sala onde foram reunidos diversos livros que ele foi fazendo e manipulando ao longo de anos, cria-se um diálogo entre os assuntos tratados em cada um deles. “Aqui o objeto livro é tratado como uma questão. Para mim os livros sempre estiveram dentro da família dos espelhos e dos relógios. Cada história se relaciona uma com a outra. Mesmo feitos em épocas diferentes, eles se confrontam. É muito bom vê-los juntos dessa forma. Livros são objetos maiores por dentro do que por fora, e a idéia de sequência permite ao artista trabalhar com a idéia de tempo”.

Se o assunto de Waltércio são os livros, Cildo Meireles se utiliza da História do Brasil para construção da instalação Missões. E como quase tudo do Cildo, se entra, se sente, essa instalação não poderia ser diferente, sem palavras, muito pode ser dito pelo barulho que se ouve em cada passo dado na sala.

Milton Machado fala de sua obra e de seus desenhos feitos “sem a prentensão de ser arte. Não são perfeitos, mas são de certa forma políticos e raivosos. Sou um arquiteto sem medidas” – ele diz, no sentido físico e metafórico. E esses são apenas alguns dos artistas presentes na exposição.

Sobre as obras da mesma época, Herzog diz que o que sobra da História não são grandes narrativas ou grandes discursos, mas reflexões. O curador, suíço e diretor da Daros Latinamerica Collection, fala em português com propriedade de um nativo, identificando as características de cada artista e propondo um diálogo entre a obra de cada um deles. Um olhar sem nacionalismo ou ufanismo, mas de alguém que enxerga a arte brasileira inserida e integrada no contexto mundial. O perfil dos artistas selecionados para exposição é bastante variado. “Não existe um denominador comum entre eles”- ele diz, é a variedade e as qualidades individuais de cada um que ao se distinguirem se destacam. Isso permite a representação da arte brasileira como um campo extenso a ser explorado, sobre diversas perspectivas.

Se Herzog tivesse que escolher uma característica que falasse da arte brasileira ele diria: “generosidade. Deve-se ser generoso para colocar questionamentos no mundo. Aqui na exposição é possível ver o ingrediente político presente em mais de um artista. Mas não é isso que os une. É a pluralidade de discurso. Não existe homogeneidade, e sim multiplicidade”. E é isso que torna a coletiva Made in Brasil tão atraente. A exposição não se propõe a ser um panorama da arte brasileira contemporânea, mas apresenta diversas facetas da produção nacional, mostrando sua pluralidade.

Durante o período em que a exposição ficar em cartaz, serão realizados bate-papos com um artistas por mês, abrindo o diálogo sobre a produção nacional. Em Maio, a Casa Daros propõe também uma mesa- redonda “Existe uma arte brasileira?”, e em Julho a instituição promove a exibição do documentário Cildo, de Gustavo Moura. Para a programação completa, entrar no site do museu.

Casa Daros: Rua General Severiano, 159.
Made in Brasil será inaugurado amanhã, dia 21 de março e fica em cartaz até 9 de agosto.
Ingressos R$14.

Fotos: Juliana Rocha

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