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Feminicidade: relatos estampados

Fotos:
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Texto: RIOetc

[Carolina Tardin]

O Feminicidade é um projeto sobre a mulher, o feminino e suas lutas diárias, mas também e, principalmente, ele é um projeto que fala muito sobre união.

Criado no ano passado, em São Paulo, a iniciativa inicial era espalhar lambes com histórias de mulheres reais estampadas pelas ruas e vielas da cidade. A prática hoje ainda é essa, só que com um grupo bem maior e com mais práticas regulares além da colagem.

Esse ano o Feminicidade já reúne além de SP, o Rio de Janeiro e Brasília. Só no Rio, foram 28 histórias contadas e 16 delas se tornaram lambes que foram colados no último final de semana. O projeto aqui na cidade participou do “Mulher Multidão”, evento do TETO, dando início à programação – que teve fim no domingo (06/03) próximo à Praça Tiradentes, no Centro (nesse mesmo lugar que fizemos as fotos aí de cima).

As atividades e encontros que estão rolando (alô, você que tá em Sampa vem ver a programação aqui) são momentos de preciosidade, em que não só a temática é amplamente debatida, mas também quando acontecem os tão mágicos encontros. De pessoas que de alguma forma compartilham algo em comum – desde um grande fato, até mesmo um pequeno detalhe – um incômodo ou uma alegria. Desses encontros é que nascem novas formas e jeitos de pensar nossos caminhos de todos os dias.

Os insights são diversos e colocam a cabeça pra funcionar – como podemos intervir com ações práticas no cotidiano? As respostas vão aparecendo aos poucos: a criação de listas públicas de taxistas mulheres (pra quando surgir um daqueles imprevistos de estar sozinha, à noite e só querer voltar pra casa em segurança); o “apitasso”, que consiste na distribuição de apitos para usar nos transportes públicos (praquelas situações que são tão absurdas que você chega a ficar sem reação); e também a lista de estabelecimentos (bares e restaurantes) que são “maneiros” e os que “não são legais”, baseados em parâmetros como “são ambientes amigáveis para amamentação” e, no caso negativo, “toleram situações de opressão à mulher”. Esse último foi uma ação do Circuito Mulheres Mobilizadas, e foram criados lambes para serem colados perto dos bares “amigáveis” (com a #seloseguro) e um outro para os que “não são legais” (com a #estamosdeolho).

“O ato dos lambes é uma forma de ocupar a cidade, que é um ambiente hostil, com diversas barreiras. Isso muda o cenário. Os rostos de mulheres e suas histórias têm o poder de transformação”, explica Rosa, voluntária do projeto. Além da colagem que aconteceu durante os eventos, os lambes estão em formato digital no site, para quem quiser espalhar a ação em sua cidade. Por aqui no estado do Rio, as artes já foram levadas para a Cidade de Deus, Bonsucesso, Olaria, Centro, Niterói e São Gonçalo.

Com mais de 40 voluntários envolvidos, as conexões são muito amplas e os voluntários se dividem nos setores de fotografia, revisão de texto, design, vídeos, colagens entre outros. Tudo que aconteceu até agora pras mobilizações acontecerem foi desembolsado do bolso deles. Pra ação continuar, uma campanha no Catarse foi lançada e termina em três dias! De longe ou de perto, participando ativamente ou apoiando financeiramente, taí a oportunidade de ajudar.

E fica aqui o convite pro engajamento ser contínuo. A caminhada é de todos os dias.

Fotos: Juliana Rocha

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