Ir para conteúdo

RIOetc entrevista Thainan Castro

Fotos:
|
Texto: RIOetc

Fotos: Juliana Rocha

[Nathália Neri]

Medo de altura, medo de escuro, medo de avião, medo do mar, medo de não conseguir conquistar o que se deseja, medo de errar, medo de morrer. O medo é aquela sensação que nos abala tanto fisicamente como psicologicamente. Mas como fugir disso?

Thainan Castro é estudante de design e é daqueles que está sempre em movimento, seja desenhando, andando de skate ou de bicicleta. Há mais ou menos 2 anos atrás conheceu o slackline e tomou gosto pelo “novo esporte”. Resolveu comprar um e sempre que podia praticava depois das aulas. Era o momento que encontrava pra se distrair e relaxar.”Era um momento meu comigo mesmo”, disse. A brincadeira começou a virar rotina e conforme Thainan ia aperfeiçoando seu equilíbrio, a fita era amarrada cada vez mais alto. E foi em um desses momentos que Thainan se desequilibrou, pisou em falso e caiu. Pelo barulho que escutou, sabia desde o início que algo grave havia acontecido. Mas ao invés de se desesperar, ele manteve a calma.

Thainan foi levado pro hospital e passou por uma cirurgia de 10 horas. O resultado foram 10 pinos, 4 placas e um diagnóstico que ninguém gostaria de ouvir. Ele havia quebrado duas vértebras do pescoço e, segundo os médicos, perdido completamente os movimentos do corpo. A primeira reação de Thainan foi rir. A segunda foi tentar enxergar algo de bom por mais trágico que fosse. Mas que lado bom? Seus desenhos dependiam das suas mãos, andar de skate e bike dependiam das pernas e dos pés e de repente, toda sua vida havia sido modificada.

Uma nova etapa começava. Um esforço pessoal e uma vontade que vinha sabe-se da onde em querer melhorar cada dia e cada vez mais. Em 1 semana ele – inacreditavelmente! – já conseguia mexer os braços. E assim, aos poucos, Thainan foi recuperando os movimentos. Ainda no hospital voltou a desenhar. Fez fisioterapia e hidroterapia, que ele diz ter sido primordial para recuperar a sustentação. Começou a tentar ficar em pé e com 5 meses já estava andando de muleta em casa. Thainan fazia algo novo todo dia, ou pelo menos tentava repetir o que tinha feito de bom no dia anterior. Curiosamente, lembrou diversas vezes do slakcline para buscar novamente o equilíbrio.

O desenho não foi deixado de lado. Começou a criar um novo estilo, a tentar acertar o traço. No dia a dia Thainan também passou a REver os conceitos e REver com outros olhos “o valor sutil das coisas”. Família, namorada e amigos foram fundamentais para essa RE-caminhada. Em 2012 fez um novo vestibular e passou pra PUC, onde hoje estuda Design. Os desenhos transformaram-se em tatuagens (esse peixe tatuado no braço é de sua autoria) e em estampas de camisas.

E o medo? O compromisso de ser melhor a cada dia elimina aos poucos o medo que ainda sente ao andar. Sereno e com o semblante tranquilo ele diz:”Eu voltei a estaca zero. Reaprendi a viver já sabendo como era viver”. Thainan não tem pressa. Afinal, a pressa é inimiga da perfeição.

Comentários