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Sem mar no fim do caminho

Fotos:
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Texto: RIOetc

Fotos: Tiago Petrik

 

[Tiago Petrik]

A crônica de hoje é visual. E não é carioca, mas parisiense. As imagens foram feitas na estação de metrô Châtelet, uma das mais movimentadas da capital francesa. Pra fotografar esses personagens quase invisíveis, me aproveitei de uma esteira vindo no sentido contrário ao da esteira em que eu estava. A intenção era registrar o vaivém incongelável de quem passa com pressa, sem doçura, sem balanço, sem mar no fim do caminho.

Foi em Paris, mas poderia ter sido no Rio. O ritmo frenético é o mesmo de quem circula pela Rio Branco na hora do almoço, de quem se levanta com o sol pro exercício no calçadão, de quem também troca de trem na Central do Brasil. Poderia ter sido em qualquer outro canto do mundo, porque todo mundo tem pressa.

As pessoas se cruzam sem cruzar olhares e sem olhar para os lados. E assim a moça de agasalho adidas não percebe o músico no corredor ao fundo, levando seu violoncelo nas costas, pra tocar em outra estação. A pessoa de chapéu (um homem ou uma mulher?) nem se liga no anúncio do balé – que a esta altura já saiu de cartaz.

A mulher de cachecol e fone de ouvido prefere a música dela, só dela, à que toca ao fundo – que música era mesmo a do violinista da estação? Tanto faz, também acabou. E aqueles centavos, gorjeta no chapéu, foram gastos.

Uma jovem boceja, outra gargalha. Um rapaz toma Red Bull. Muita gente lê seu jornal – mas agora tudo é notícia velha. Como têm pressa os velhos! De uma ponta à outra da esteira, tudo já passou.

Enfim, alguém sinaliza, acenando, seu desejo de ser fotografado. O desejo de que aquela desimportante passagem pela esteira da estação fique para sempre registrado. Mas a pressa, sempre ela, impede que se saiba exatamente como era a cara daquela menina que passou por mim às 13h34min54s do dia 9 de março de 2011, na estação Châtelet do metrô de Paris.

Mantenha-se à direita. Saída pela esquerda. Até um dia, quem sabe?

Este post é mais uma gentileza da Gafisa pra você.

 

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