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Rio

Fotos: Tiago Petrik
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Texto: Haydée Lima

Rio. Quanto cabe do meu amor em 3 letras combinadas perfeitamente num traço sonoro que dá saudade, não importa onde esteja… Hoje acordei sorrindo. Teimei o azul pela borda da janela que encontrava o Pão de Açúcar amarelado pelo sol, que se derramava sem receio em suas cores. Que vontade de sentir a rua, o cheiro da calçada recém lavada de manhã, o frescor incansável das amendoeiras da Oswaldo Cruz, antes de abrir o sorriso inteiro para o céu de março desembocando no mar… Vontade da sua gente toda, de cruzar, tropeçar, esbarrar em tantas formas, nomes e proporções dessa cidade! Saudades desse calor unívoco das suas multidões de areias, sambas e carnavais. Queria eu curar o mundo, pra ter ver rindo de novo. Te ver transbordando o suor eufórico de todas as esquinas quando tudo isso passar. Ah, que vontade de sentir na pele arrepiada, o ritmo fervoroso do samba de Madureira, os anúncios primeiros da folia nas ruas do Centro ou os acordes serenos da enseada da Urca, às 7 da manhã… Correria ao passado, mil vezes se pudesse, para encontrar os Tambores nos ensaios do Aterro. E quando não rio e me arrependo por não ter ficado um pouquinho mais para ver o sol nascer, por não ter bebido o último gole daquela cerveja no Amarelinho, por não ter esperado o final dos créditos e ter sido a última a sair das antigas sessões de quarta à tarde do cinema Estação. Parece tanto tempo… Quanto tempo cabe nesse desejo inerte de visitar-te sem nunca ter saído daqui? Não sei. Nem se sabe ao certo quanto falta. Mas nesse dia, no dia em que acordei sorrindo e te vi primeiro pelo azul que pousou em minha janela e depois em cada traço sublime que te faz ser tão único… que todos os beirais, todas as marés, cada quarteirão, batente, poeta ou confete esquecido, reverenciem o que tu és, meu Rio. Daqui aguardo, de coração enfeitado, pelo maior abraço que lhe darei um dia. Feliz aniversário!

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