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Parabéns pra você!

Fotos:
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Texto: RIOetc

Foto: Divulgação/Flamengo

[Tiago Petrik]

Hoje São Paulo faz 457 anos. Lembrei da grande comemoração de sete anos atrás, quando a data era redondíssima, e de ter visto um camarada no Baixo Gávea com uma t-shirt em que se lia, na frente: “Parabéns a São Paulo pelos 450…”. E nas costas: “…quilômetros de distância!”. A piada, típica de carioca, não esconde um certo fascínio que a galera do lado de cá da Dutra tem pela moçada de lá. Se fosse indiferente, não tinha piada. Como não é, tem.

E esse fascínio fica mais claro porque a piada zoando os “meus” é recorrente. Um grande arquiteto carioca, que terá sua identidade mantida em sigilo, costuma dizer em rodas de amigos que São Paulo – não apenas a cidade, mas o Estado inteiro – não faria muita falta ao mapa do Brasil. Ao contrário: se não existisse, Minas Gerais e o Mato Grosso do Sul teriam acesso ao mar.

Outro conhecido costuma dizer que seu lugar preferido na grande metrópole é Congonhas. E completa: “Setor de embarque, claro”. Sua justificativa é que o aeroporto é o lugar de São Paulo mais perto do mar, já que o Rio fica a apenas 40 minutos de lá.

Tá certo, eles têm suas esquisitices mesmo: tomam um negócio chamado Tubaína (e gostam!), elegem figuras como Tiririca e Paulo Maluf, chamam biscoito de bolacha e fazem festa pra comemorar a revolução de 1932, em que foram derrotados. Perdem boas horas dos dias em seus carros, que adoram como a um lar. E todos os nomes viram apelidos com a primeira sílaba. Exemplo: se você se chama Sócrates, todo mundo vai te chamar só de “Só”.

Em São Paulo, portanto, eu era “Ti”. Sim, morei um ano na maior cidade do país, que aprendi a gostar. Fiz muitos amigos que têm aquele sotaque carregado e deixei por lá outros amigos cariocas, “exilados econômicos” que também aprenderam a ver poesia na feia fumaça que sobe apagando as estrelas. Gente que, como eu, sabe que não existe nada parecido com o polpetone do Jardim di Napoli, provavelmente nem em Napoli. E que os pastéis e caldos de cana das feiras de lá são bem melhores que os nossos, entre outras vantagens. Alguns desses amigos concordam comigo também numa questão delicadíssima, capaz de ferir o orgulho de muito carioca: o melhor chope do Rio é servido no Pirajá. Pra quem não sabe, o Pirajá é uma declaração de amor ao Rio: um bar “temático” no bairro de Pinheiros, adornado com motivos da Cidade Maravilhosa, algo que era moda quando eu morei por lá. Porque paulistas adoram o Rio. Amam vir pro Rio. Aqui, tomam mate e comem biscoito Globo – e não bolacha Globo. E agora eu pergunto pra vocês, especialmente pros que gostam dessa rixa boba com São Paulo: como não gostar de quem gosta tanto do Rio?!

Parabéns, São Paulo, pelos 457 anos de vida! Ah! Dia 1º de março é a nossa vez! Venham festejar com a gente os 446 anos do Rio!

PS: A foto que ilustra este texto mostra os rubro-negros comemorando a Taça São Paulo de futebol júnior, fato marcante nesta data querida. Acreditem: pura falta de opção no arquivo… Precisamos voltar logo a São Paulo!

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